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	<title>O Serial Killer &#187; psicopatia</title>
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		<title>MENTES PERIGOSAS &#8211; LIVRO</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 16:46:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[livros]]></category>
		<category><![CDATA[Mentes Perigosas]]></category>
		<category><![CDATA[psicopatia]]></category>

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		<description><![CDATA[O livro &#8220;Mentes Perigosas&#8221; (editora Fontanar), da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, não é seu único trabalho literário destinado a levar ao público leigo conhecimentos sobre alguns transtornos psiquiátricos. Ana Beatriz já lançou também &#8220;Mentes inquietas&#8221;, &#8220;Mentes insaciáveis&#8221;, entre outros, livros que falam de problemas como o déficit de atenção ou os transtornos alimentares. Em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><img src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/mentes-perigosas-livro.jpg" alt="livro Mentes Perigosas" title="livro Mentes Perigosas" width="145" height="206" class="alignleft size-full wp-image-1420" />O livro &#8220;Mentes Perigosas&#8221; (editora Fontanar), da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, não é seu único trabalho literário destinado a levar ao público leigo conhecimentos sobre alguns transtornos psiquiátricos. Ana Beatriz já lançou também &#8220;Mentes inquietas&#8221;, &#8220;Mentes insaciáveis&#8221;, entre outros, livros que falam de problemas como o déficit de atenção ou os transtornos alimentares.</p>
<p>Em &#8220;Mentes perigosas&#8221; ela se debruça sobre o transtorno de personalidade anti-social (TPAS), o popular &#8220;psicopata&#8221;. Não é um livro para especialistas &#8211; embora psiquiatras e psicólogos com pouca experiência no trato com esta doença possam aprender mais sobre o assunto. O livro é voltado especialmente a informar o público em geral sobre como identificar o &#8220;psicopata comum&#8221; &#8211; isto é, não se trata aqui dos grandes criminosos ou de serial killers, como os que analisamos aqui no site. </p>
<p><span id="more-1419"></span></p>
<p>A maioria dos psicopatas não chega a ser assassino, na verdade nem parecem ser pessoas do mal, pois são muito dissimulados. </p>
<p>O psicopata cotidiano está ao nosso lado, como indica o subtítulo do livro, e geralmente só percebemos os danos que causa (nos relacionamentos, nas empresas, em nossa conta bancária) quando já é tarde demais. Ana Beatriz torna o leitor mais &#8220;esperto&#8221; na difícil habilidade de identificarmos um psicopata.</p>
<p>O livro é um pouco repetitivo, para quem já é versado no assunto. Mas a insistência na descrição dos comportamentos do psicopata é compreensível: o aprendizado (do leitor) é proporcional à repetição do que é ensinado. </p>
<p>Algo interessante em sua análise é que, segundo sua observação, todos (todos!) os psicopatas que já observou apresentam um comportamento de &#8220;coitadinho&#8221;. </p>
<p>Um ponto positivo do livro, já que parece ser voltado ao público comum, é a quase ausência de terminologia técnica, de estatísticas etc. Aliás, é surpreendente a contenção da autora, que conseguiu deixar os critérios diagnósticos psiquiátricos para o TPAS apenas em um adendo ao final do livro.</p>
<p>O livro contém alguns casos pouco conhecidos e alguns criminosos famosos (Susane von Richthofen, Guilherme de Pádua, Champinha etc.), contados resumidamente. </p>
<p>Também destaca o modo como as pessoas devem lidar com um psicopata, após perceberem estar convivendo com um. Ana Betriz frisa que o transtorno não tem cura, e que &#8220;é mais sensato falarmos em ajuda e tratamento para as vítimas dos psicopatas&#8221;. </p>
<p>Apenas um pequeno deslize deve ser apontado, e justamente em uma rara ocasião que a autora mexe com estatísticas. Segundo ela (e de acordo com várias pesquisas), o TPAS atinge 3% dos homens e 1% das mulheres. Ana Beatriz conclui: &#8220;A boa notícia é que quase 96% das pessoas são consideradas possuidoras de base razoável de decência e responsabilidade.&#8221; Na verdade, não devemos somar a incidência de homens e mulheres para chegar ao total de atingidos na população, e sim fazer a média. Portanto, o TPAS atinge 2% da população, e os 98% restantes não possuem o transtorno. </p>
<p>Errinho facilmente corrigível em edição futura e que não desmerece o trabalho de Ana Beatriz. É um livro bem escrito e a edição bem feita. </p>
<p>*</p>
<p>O livro está em promoção na Saraiva, por R$ 18,50 (<a href="https://www.livrariasaraiva.com.br/produto/2602832/mentes-perigosas-o-psicopata-mora-ao-lado/?ID=C8657BE57D90B0B0F2C320311&#038;PAC_ID=26505" rel="noindex,nofollow" target="_blank">comprar</a>).</p>
<p>Para os interessados em saber mais sobre o comportamento psicopático no ambiente corporativo, de trabalho, recomendamos nosso livro <a href="http://www.lcm.com.br/index.php?Escolha=20&#038;Livro=L00525" rel="noindex,nofollow" target="_blank">&#8220;A mente de Maquiavel&#8221;</a>. Para os interessados em entender os crimes violentos, inclusives de serial killers, recomendamos nosso <a href="http://www.lmpeditora.com.br/" rel="noindex,nofollow" target="_blank">&#8220;Psiquiatria Forense&#8221;</a>, ambos parceria com o psiquiatra Marcelo Caixeta, que, por sinal, fez uma crítica ao livro de Ana Beatriz que, a bem da verdade, não é bem apenas a ela, mas a todo um entendimento que a Psiquiatria faz do TPAS (<a href="http://www.abpbrasil.org.br/medicos/clipping/exibClipping/?clipping=10648" rel="noindex,nofollow" target="_blank">ler</a>). </p>
<p>Na sua polêmica opinião, &#8220;a maldade não é a característica distintiva da doença, não é uma característica diagnóstica, justamente porque o conceito de &#8216;maldade&#8217; é um conceito da filosofia moral, portanto, mais antigo do que a própria Psiquiatria, e não pode ser assimilado pela Medicina, sem sérios riscos.&#8221; Para elucidar seu pensamento, Caixeta fala de casos que pessoas que poderiam ser diagnosticadas como &#8220;psicopatas&#8221; mas que, por outro lado, são capazes de vários comportamentos altruístas e até de sentimentos afetuosos.</p>
<p>Controverso o assunto, quando entramos nas suas profundezas&#8230;
</p></div>
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		<title>KILLERISMO x TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTI-SOCIAL</title>
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		<pubDate>Mon, 04 Aug 2008 04:01:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[killerismo - ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[killerismo]]></category>
		<category><![CDATA[psicopatia]]></category>
		<category><![CDATA[transtorno de personalidade anti-social]]></category>

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		<description><![CDATA[Breve história do Transtorno de Personalidade Anti-social O Transtorno de Personalidade Anti-social (TPAS) foi descrito por vários autores antigos (Pinel, Kraepelin, Schneider etc.), embora o portador recebesse outras denominações, como &#8220;psicopata&#8221;, &#8220;sociopata&#8221;, &#8220;amoral&#8221; etc. No DSM-I, era um subtipo do transtorno sociopático (juntamente com os subtipos dissocial, desviante sexual e alcoólico). No DSM-II, os outros [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;">
<h4>Breve história do Transtorno de Personalidade Anti-social</h4>
<p>O Transtorno de Personalidade Anti-social (TPAS) foi descrito por vários autores antigos (Pinel, Kraepelin, Schneider etc.), embora o portador recebesse outras denominações, como &#8220;psicopata&#8221;, &#8220;sociopata&#8221;, &#8220;amoral&#8221; etc. </p>
<p>No DSM-I, era um subtipo do transtorno sociopático (juntamente com os subtipos dissocial, desviante sexual e alcoólico). </p>
<p><span id="more-221"></span></p>
<p>No DSM-II, os outros subtipos são retirados, assim como o nome &#8220;sociopático&#8221;. O DSM I e II foram influenciados por trabalhos de Hervey Cleckey, e focavam mais aspectos da personalidade do indivíduo (falsidade, ausência de remorso etc.). As críticas foram sobre a simplificação exagerada. Theodore Millon, por exemplo, defendia a existência de subtipos:<br />
* sádico-agressivo: hostilidade vingativa, desafio destrutivo das convenções;<br />
* histriônico- impulsivo: necessidade de estimulação e excitação;<br />
* exploratório: envolvimento em fraudes, exploração, valendo-se de mentiras, sedução.</p>
<p>Já no DSM-III, por influência de Lee Robins, são valorizados mais comportamentos socialmente indesejados (prisões etc.). Isto também gerou críticas, pois os comportamentos reprováveis podem variar de cultura a cultura. </p>
<p>No DSM-IV e na CID-10 existem tanto aspectos de personalidade quanto comportamentais. </p>
<p>O desenvolvimento do Psychopathy Check List Revised (PCL-R; Hare; 1991) mostrou dois grupos principais de sintomas, um relacionado a fatores inter-pessoais, outros mais à impulsividade e normas sociais. </p>
<h4>KILLERISMO X TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTI-SOCIAL</h4>
<p>Para que seja feito, com segurança, um diagnóstico de transtorno de personalidade anti-social (TPAS), dois aspectos necessariamente  têm de estar presentes:<br />
a) primeiros sintomas aparecendo antes dos 18 anos;<br />
b) sintomas em quantidade suficiente, na idade adulta. </p>
<p>Existe uma grande tendência de pensar-se o <em>serial killer</em> como um portador do TPAS, isto é, como um &#8220;psicopata&#8221; típico. Entretanto, analisando-se detalhadamente a história de vários <em>serial killers</em>, notamos que muitos não preenchem claramente os critérios diagnósticos para TPAS, antes do início do killerismo, e isto pode ocorrer por quatro motivos:<br />
a) início tardio dos sintomas (após os 18 anos);<br />
b) nunca preencheu a quantidade mínima de sintomas para o diagnóstico;<br />
c) poucos sintomas, que só apareceram na idade adulta;<br />
d) não apresentava nenhum sintoma de TPAS até o surgimento do killerismo.  </p>
<p>Entretanto, quando um indivíduo torna-se <em>serial killer</em>, é inegável que, a partir daquele momento, por definição, ele preenche os critérios sintomáticos do TPAS (excetuando-se alguns casos de killeristas portadores de esquizofrenia, demência etc.). </p>
<p>Ou seja, (quase) todo <em>serial killer</em> possui os sintomas de TPAS. (Diga-se de passagem, de um TPAS extremamente intenso, pior que o TPAS &#8220;básico&#8221;). Mas, como nem todos os <em>serial killers</em> preenchem todos os critérios para o diagnóstico seguro de TPAS bem antes do início do killerismo, a hipótese que nos surge é a de que o killerismo é algo aparentado com o TPAS, mas não é, exatamente, este transtorno. Justamente por causa das quatro possibilidades listadas anteriormente (início tardio dos sintomas etc.). </p>
<p>Desta forma, concluímos que existem transtornos que se assemelham ao TPAS, mas não o são. E estes transtornos não estão descritos nos manuais diagnósticos &#8211; a hipótese de sua existência (e notificação) é aventada, nos códigos residuais (F60.9). </p>
<p>A relativa raridade da incidência do killerismo não é razão suficiente para que ele não seja descrito como entidade nosológica à parte, pois é um transtorno bastante grave, por suas conseqüências sociais. Assim, os transtornos de personalidade não-descritos que podem estar associados ao killerismo merecem uma observação mais detalhada. Respectivamente, poderíamos nomear as quatro situações prévias ao killerismo da seguinte maneira:<br />
a) TPAS de início tardio;<br />
b) traços de TPAS;<br />
c) traços de TPAS, de início tardio;<br />
d) sem qualquer sintoma de TPAS.  </p>
<p>Somando-se a hipótese clássica de TPAS típico antes do killerismo, temos 5 possibilidades reais, neste assunto. Cada hipótese desta pode ser desdobrada, se, em um caso em questão, os dados forem dúbios, permitindo-nos apenas um diagnóstico de &#8220;provável&#8221;.  </p>
<p>O killerismo, partindo-se das cinco situações básicas, pode ser, então, em relação ao TPAS:<br />
a) agravamento de TPAS;<br />
b) agravamento de TPAS de início tardio;<br />
c) agravamento extremo e rápido de traços de TPAS;<br />
d) agravamento extremo e rápido de traços de TPAS de início tardio;<br />
e) surgimento súbito de TPAS, sem sintomas anteriores. </p>
<p>Apesar de defendermos que o killerismo pode surgir sem a presença prévia do TPAS típico, não podemos negar que é alta a incidência de TPAS típico entre os <em>serial killers</em>, maior que na população em geral. Assim, embora o TPAS típico não seja um pré-requisito indispensável para o surgimento do killerismo, a sua presença aumenta a chance da incidência do killerismo. Isto é, é mais provável que o killerismo surja em alguém com TPAS típico do que em alguém que não o tenha. E, da mesma maneira, em vários casos, mesmo que não exista o TPAS típico, existe alguma das outras hipóteses intomáticas (traços, início tardio etc.), o que nos leva também à conclusão de que a presença desta situações facilite o surgimento do killerismo, embora de uma maneira menos intensa que o TPAS típico. Por fim, o killerismo pode surgir em alguém sem nenhum sintoma de TPAS, mas esta situação, pela lógica, é menos comum. </p>
<p>Ou seja, quanto mais critérios de TPAS (idade e/ou sintomas), maior a chance do aparecimento do killerismo. Dito de outra maneira: a presença da doença TPAS típico aumenta a chance do surgimento posterior da doença killerismo; a presença de TPAS atípico também aumenta, mas menos intensamente; contudo, por fim, a doença killerismo também pode surgir em indivíduos até então assintomáticos. </p>
<p>O TPAS é uma doença que facilita o surgimento de outra, semelhante mas bem mais grave, o killerismo. Contudo, são dois transtornos distintos. Fazendo-se algumas comparações médicas, entre tantas possíveis: o tabagismo predispõe ao câncer de pulmão, mas este pode surgir em não-tabagistas; a obesidade favorece o infarto, mas pessoas com peso normal também infartam; uma gastrite pode transformar-se em úlcera, mas a úlcera pode ser descoberta em pessoas que não tinham sintomas de gastrite etc.</p>
<p>Algo precisa ser dito sobre o conceito de &#8220;prévio&#8221;, quando falamos da existência anterior de sintomas de TPAS. É óbvio que o killerismo, quando inicia-se, isto é, no momento do primeiro homicídio, ele não surge exatamente no instante do ataque à vítima. É de se supor que os pensamentos killeristas surgiram no mínimo alguns dias antes &#8211; ou semanas, ou meses, ou até mesmo anos, em alguns casos. Quando estes pensamentos surgem, e o indivíduo já os trata de forma ego-sintônica, isto é, já não discorda deles, neste momento em que não há mais empatia o indivíduo já tem ao menos alguns sintomas de personalidade anti-social. Ou seja, desta maneira, todo killerismo será precedido por alguns sintomas anti-sociais. Isto derrubaria por terra nossa hipótese do killerismo surgir em indivíduos sem qualquer sintoma prévio de personalidade anti-social. Pois, necessariamente, antes do primeiro crime haverá o desejo, o planejamento, a falta de empatia etc., o que já seriam sintomas anti-sociais. </p>
<p>Desta forma, quando afirmamos que o killerismo pode surgir de maneira súbita, isto é, sem sintomas prévios de personalidade anti-social, estamos, na verdade, falando de dois fatores. </p>
<p>O primeiro: entre os sintomas prévios de personalidade anti-social não estamos incluindo os pensamentos homicidas ego-sintônicos que antecedem os atos. Estes são, de fato, não sintomas especificamente da personalidade anti-social, mas sim do próprio killerismo – vide os critérios diagnósticos para TPAS, que não incluem o sadismo e a agressividade totalmente imotivada.</p>
<p>O segundo fator: a questão do tempo entre o surgimento das idéias killeristas até o início dos atos killeristas. Como dito, este pode variar de semanas a anos. Se a latência é curta (semanas), poderíamos falar em um killerismo rapidamente progressivo. Se é prolongada (anos), poderíamos chamá-lo de lentamente progressivo. Mas como separar, exatamente, uma definição de outra? Teríamos que estabelecer um critério, que seria, inevitavelmente, arbitrário. Por exemplo: podemos estabelecer o ponto-de-corte em um ano. Se dos pensamentos killeristas aos atos houve uma latência menor que doze meses, diríamos tratar-se de um killerismo rapidamente progressivo. O critério de tempo ideal deveria ser estabelecido através da mediana da latência em inúmeros casos. Entretanto, este trabalho é difícil de ser realizado, pela escassez deste tipo de dados. Desta forma, a princípio é necessário estabelecer um critério arbitrário. </p>
<p>Em suma, o que estes dois fatores querem dizer é que quando dizemos do surgimento do killerismo em indivíduos antes sãos, estamos falando do período que antecede os pensamentos killeristas ego-sintônicos. É provável que, surgidos tais pensamentos, o indivíduo comece a apresentar outros comportamentos anti-sociais. Isto pode confundir a classificação do caso quanto a presença prévia ou não de sintomas anti-sociais. Estes só devem ser considerados como anti-sociais puros se, apesar deles, não houvessem ainda sintomas do killerismo, como o pensamento killerista. Esta distinção é especialmente difícil em casos de killerismo lentamente progressivo. </p>
<h4>Classificações do killerismo</h4>
<p>O killerismo, assim como pode ser classificado de acordo com a rapidez com que se desenvolve, pode ser visto sob outros prismas. Um deles é sua gravidade. </p>
<p>O killerismo &#8220;básico&#8221;, isto é, sua essência, é a prática do homicídio. De forma alguma poderíamos chamá-lo de &#8220;leve&#8221;, dada a gravidade das conseqüências da doença. Entretanto, existe uma forma que é pior que esta, que é a forma sádica. </p>
<p>Vejamos superficialmente o caso do &#8220;Filho de Sam&#8221;, David Berkoitz. Suas vítimas eram atingidas com tiros, nada mais. Após a execução do ato, ele evadia-se. Não haviam facadas, não havia tortura, não havia estupro, nada disto. Caso diametralmente oposto, neste quesito, a John Wayne Gacy, por exemplo. </p>
<p>Quanto à gravidade, existe ainda outra possibilidade de avaliação, que, em termos sociais, é a mais importante: o número de vítimas. Certo é que um <em>serial killer</em> que matou 10 pessoas em 10 anos e foi preso fez mais mal à sociedade que um que matou 5 pessoas em 5 meses e também foi preso. Entretanto, neste segundo caso, a periculosidade era bem maior (1 vítima/mês x 1 vítima/ano).  Novamente, aqui, teríamos que estabelecer um critério matemático para o ponto-de-corte, e talvez fosse melhor fazermos uma distinção não em duas categorias, mas em três: periculosidade básica, intensa e extrema. Mais uma vez, o termo &#8220;leve&#8221; seria despropositado, quase um desrespeito às vítimas. Apenas inicialmente, na ausência das análises matemáticas, poderíamos estabelecer os seguintes critérios arbitrários, para exemplificar: básica: uma vítima a cada 6 meses ou mais; intensa: uma vítima a cada 1 a 6 meses; extrema: uma vítima ou mais por mês. </p>
<p>Uma outra classificação possível é quanto à presença de sintomas acessórios. São assim chamados porque não são essenciais – essencial, mesmo, é o homicídio. Como o sadismo está incluído no critério de gravidade, também não o colocamos aqui. Desta forma, os sintomas acessórios são as &#8220;bizarrices&#8221;, a &#8220;assinatura&#8221; do <em>serial killer</em>. Estão aqui a necrofilia, a mutilação post-mortem, o canibalismo, os souvenirs. </p>
<p>É importante especificar-se o tipo de sintoma acessório, visto que podem ter significados bastante diferentes. </p>
<p>Por fim, uma última classificação possível é quanto à evolução da doença. Este item gera controvérsias. Em alguns (poucos) casos, aparentemente o <em>serial killer</em> para de matar. Não estamos falando, obviamente, de criminosos presos, mas sim do solto. Citemos um exemplo, do <em>serial killer</em>  conhecido como &#8220;Zodíaco&#8221;: apesar de nas suas cartas afirmar que a contagem de mortos não parava de crescer, muitos acreditam que, na verdade, ele teria parado de matar quando atingiu o seu suposto objetivo (mídia etc.), parando para não correr riscos de ser pego, e falando destes números crescentes apenas para aterrorizar. </p>
<p>Classificações do killerismo:<br />
* quanto à presença prévia de sintomas anti-sociais<br />
* quanto à velocidade do desenvolvimento<br />
* quanto à gravidade<br />
* quanto à periculosidade<br />
* quanto à presença de sintomas acessórios<br />
* quanto à evolução  </p>
<p>A agressividade, propõe-se, pode ser de dois tipos básicos: afetiva x predatória (Raine et al., 1998) – ou reativa x operativa (Blair et al., 2001).  A operativa ou predatória é a planejada, pré-determinada, não dependente de alguma provocação. Vias neurais distintas podem estar envolvidas em cada tipo de agressividade.</p></div>
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