<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>O Serial Killer &#187; ensaios</title>
	<atom:link href="http://oserialkiller.com.br/tag/ensaios/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://oserialkiller.com.br</link>
	<description>serial killers famosos: livros, fotos, histórias, notícias etc.</description>
	<lastBuildDate>Thu, 23 Feb 2012 17:26:02 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
<xhtml:meta xmlns:xhtml="http://www.w3.org/1999/xhtml" name="robots" content="noindex" />
		<item>
		<title>O CANIBALISMO</title>
		<link>http://oserialkiller.com.br/o-canibalismo/</link>
		<comments>http://oserialkiller.com.br/o-canibalismo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 13 Nov 2009 13:26:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[converter01]]></category>
		<category><![CDATA[killerismo - ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[canibalismo]]></category>
		<category><![CDATA[ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[Jeffrey Dahmer]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://oserialkiller.com.br/?p=1441</guid>
		<description><![CDATA[(Artigo dividido em 2 partes. Esta é a 1a.) Façamos um exercício de imaginação. Suponhamos que pudéssemos viajar de um local para outro com muita facilidade. E não apenas isto, mas que também pudéssemos viajar no tempo. Suponhamos, então, que tivéssemos pais bastante preocupados com nossa educação, com nossa formação cultural. Então, em nossa infância, <a href='http://oserialkiller.com.br/o-canibalismo/' class='excerpt-more'>[continuar lendo...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;">(Artigo dividido em 2 partes. Esta é a 1a.)</p>
<p>Façamos um exercício de imaginação. Suponhamos que pudéssemos viajar de um local para outro com muita facilidade. E não apenas isto, mas que também pudéssemos viajar no tempo. Suponhamos, então, que tivéssemos pais bastante preocupados com nossa educação, com nossa formação cultural. Então, em nossa infância, eles nos fariam passar um pequeno período em diferentes países, convivendo com cada povo que existe ou já existiu.</p>
<p>Qual seria o resultado desta experiência? Aposto na seguinte hipótese: quando fôssemos adultos, nada nos assustaria.</p>
<p>Tomemos o canibalismo como exemplo.</p>
<div id="attachment_1444" class="wp-caption aligncenter" style="width: 416px"><img src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/vitima-de-jeffrey-dahmer-fotos.jpg" alt="vitima de Jeffrey Dahmer" title="vitima de Jeffrey Dahmer" width="406" height="306" class="size-full wp-image-1444" /><p class="wp-caption-text">vitima de Jeffrey Dahmer</p></div>
<p><span id="more-1441"></span></p>
<p>O serial killer americano Jeffrey Dahmer (1960 – 1994) ficou conhecido como &#8220;O canibal de Milwaulkee&#8221;. Matou 17 homens, cortou seus corpos, fritou partes e comeu. Chocou quem soube da história. Poderíamos citar outros casos, mas invariavelmente terminaríamos a descrição com &#8220;chocou quem soube da história&#8221;.</p>
<p>Chocou porque não somos canibais. Porque o ato de comer outro ser humano não faz parte dos nossos costumes.</p>
<p>Porém, analisemos os seguintes fatos, que são bem documentados. Quando os europeus aportaram no continente americano, no século XVI, se depararam com várias tribos, cada uma com seus costumes. Ocupando grande parte da costa atlântica sul-americana estavam os tupinambás. Quando em luta com outras tribos, os tupinambás não se contentavam em matar os inimigos. Também os comiam, ainda no campo de batalha ou posteriormente, em um ritual.</p>
<p>“Um golpe na nuca rompia o crânio do cativo. Acudiam mulheres velhas, com cabaças, para recolher o sangue. Tudo era consumido por todos. As mães besuntavam os seios de sangue para os bebês também provarem do inimigo. O cadáver era esquartejado, destrinchado, assado numa grelha e disputado por centenas de participantes – que comiam pedacinhos. Se fosse muito numerosa a platéia, fazia-se um caldo dos pés, mãos e tripas cozidas.&#8221; <span style="font-size:75%">(levemente adaptado de &#8220;O sabor da própria carne&#8221;, Ricardo Arnt, revista Super Interessante, edição 119, agosto de 1997)</span></p>
<p>Chocante? Para nós, talvez. Não para qualquer tupinambá. Não se tem notícia de um movimento do tipo &#8220;Abaixo o canibalismo!&#8221; naquela tribo.</p>
<p>Poderíamos citar outros exemplos, mas invariavelmente terminaríamos a descrição com &#8220;Chocante? Para nós, talvez. Para eles, mais um dia como outro qualquer.&#8221;.</p>
<p>Aquela criança que pudesse viajar no tempo e no espaço e pudesse provar ainda cedo de todas as culturas que o ser humano já foi capaz de criar talvez também não se chocaria com Jeffrey Dahmer. Reconheceria ali algo demasiado humano.</p>
<p>Sim, por mais que os costumes de determinado povo nos assombrem, há algo que não podemos negar: todos fazem parte da mesma espécie. Todos são humanos, <em>Homo sapiens</em>.</p>
<p>Cada grupo, historicamente, tomou seu próprio caminho e desenvolveu sua cultura. Se os tupinambás não tivessem sido encontrados e dizimados pelos europeus, é possível que ainda hoje estivessem a comer seus inimigos.</p>
<p>E não é porque um povo não existe mais que deixa de ser uma das possibilidades do que é ser um humano.</p>
<p>Infelizmente não temos como viajar no tempo. Temos condições teóricas de nos deslocar no espaço, mas, na prática, é caro, é trabalhoso. Então somos condenados a passar quase toda a nossa vida totalmente imersos em apenas uma cultura.<br />
Nós, ocidentalizados e tecnologicamente desenvolvidos do século XXI, não somos canibais. Nem amputamos clitóris de meninas, como em vários locais do continente africano. Nem temos a pena de morte por apedrejamento como têm os chineses – que, além de tudo, comem carne de cachorro.</p>
<p>Por isto, tudo quem vem de fora do nosso mundinho nos choca. Tudo é &#8220;bárbaro&#8221;.</p>
<p>Uma pequena digressão pode ser esclarecedora. Analisemos a origem do significado desta palavra, &#8220;bárbaro&#8221;. Ela vem do grego, e indicava, originalmente, os povos estrangeiros, isto é, as tribos de fora da Grécia. Em suma, os não gregos. O Império Romano sucedeu aos gregos e foi aí que o termo passou a ter uma conotação de &#8220;não-civilizado&#8221;. De fato, os romanos eram bem mais desenvolvidos, materialmente, tecnologicamente, que os povos que os rodeavam. Hoje a palavra perdeu seu sentido original (chamamos os que não são de nossa nacionalidade apenas de &#8220;estrangeiros&#8221;) e manteve o derivado, quer a apliquemos para um estrangeiro ou para um conterrâneo, que pode cometer um &#8220;ato bárbaro&#8221;, um &#8220;crime bárbaro&#8221;.</p>
<p>Bárbaro é o que é diferente. Certamente chineses e africanos devem se assustar com muitos de nossos costumes. Mesmo que não nos achem &#8220;atrasados&#8221;, ou &#8220;bárbaros&#8221;, devem nos achar estranhos, no mínimo.</p>
<p>Fato é que a humanidade é sinônimo de multiplicidade cultural. E não apenas geograficamente, mas até mesmo dentro de um mesmo povo, visto através do tempo. Vivemos uma época de transições. Algo que até há pouco tempo era visto com naturalidade, hoje já é questionado por muitos e, em pouco tempo, pode ser considerado um comportamento altamente reprovável. Um simples exemplo: a existência de zoológicos.</p>
<p>Não éramos menos humanos quando todos aceitavam que bichos ficassem toda a sua vida enjaulados. Podemos hoje ser mais conscientes, mais isto, mais aquilo, mas isto não torna nossos pais e avós menos humanos, no sentido de ainda serem legítimos <em>Homo sapiens</em>. (A palavra &#8220;humano&#8221;, como uma infinidade de palavras, tem múltiplos significados. Um deles é a associação com sentidos como &#8220;caridoso&#8221;, &#8220;compreensivo&#8221; etc. Não é neste sentido que estamos utilizando-a, aqui.)</p>
<p>A história do <em>Homo sapiens</em>, portanto, é a história de uma miríade de possibilidades culturais. Jung (1875 – 1961) é um dos nomes mais importantes na história da Psicanálise e uma de suas principais idéias é o &#8220;inconsciente coletivo&#8221;. Esta idéia tem algumas implicações.</p>
<p>Uma delas é o que o romano Terêncio, que viveu no século II antes de Cristo, sintetizou na famosa frase &#8220;Nada que é humano me é estranho.&#8221;. Temos nosso inconsciente individual, descobriu Freud (1856 – 1939), mas Jung postulou que também somos habitados por algo mais etéreo, mais sutil, que é o inconsciente humano, algo que liga e aproxima todos os humanos, sejamos brasileiros ou chineses.</p>
<p>O que Terêncio e Jung nos dizem, afinal, é que todas as possibilidades residem em nós. Se tivéssemos nascido na China, cães seriam apetitosos. Se fôssemos tupinambás, seríamos canibais.</p>
<p>Assim, Jeffrey Dahmer, ou qualquer outro canibal dos dias de hoje, pode ser visto, se quisermos, como um monstro, uma aberração, um bárbaro. Mas de um ponto de vista cultural e antropológico, o problema dos canibais modernos é apenas um deslocamento cultural. Nasceram na época errada e no local errado.</p>
<p>Chocamo-nos com seus atos porque somos crias de uma cultura não-canibal. E tentamos manter nosso comportamento homogêneo através de leis: sem nudismo, sem ablações de clitóris, sem canibalismo. Para evitar que ovelhas se desgarrem do rebanho, criamos as punições. Entretanto, algumas ovelhas temem menos a dor, sentem mais fortemente o impulso proibido, e resolvem romper com a lei.</p>
<p>As leis já existiam antes de Dahmer e Dahmer as conhecia. Sabia dos riscos e das consequências. Teve de ser punido (15 condenações de prisão perpétua), assim como tem de ser punido qualquer um que transgrida qualquer lei, porque se as leis não forem cumpridas nossa cultura se desmorona. Até mesmo culturas iletradas, como as indígenas, possuíam suas normas de conduta e suas punições.</p>
<p>Dito tudo isto, fica claro que o canibal moderno pode ser visto como um monstro, como dissemos, mas também podemos enxergá-lo de uma forma mais próxima, mais compreensiva. Dahmer não era um macaco ou um extra-terrestre. Quer queiramos ou não, <em>Homo sapiens</em>. Canibal? Sim. Transgressor? Sim, bastante. Louco? Talvez. Mas, ainda assim, humano. Deslocado? Completamente. Seria um tupinambá bem sucedido, mas foi um americano execrado.</p>
<p>Se todo um povo praticava o canibalismo (e não foram os únicos, longe disto!) e este povo era da mesma espécie que nós, talvez exista algo de humano no canibalismo. É neste ponto que queríamos chegar. Talvez exista um sentido no canibalismo.</p>
<p>Talvez possamos entender este sentido, mesmo que de antemão digamos &#8220;Mesmo que entendamos, não iremos aceitar isto para nosso modo de vida.&#8221;. Talvez exista uma verdade no canibalismo. Uma verdade sobre nós mesmos. Uma verdade que podemos escolher não aplicar em nossas vidas (assim como não escolheríamos uma estrada de terra se para o mesmo destino houvesse uma asfaltada), mas que não deixa de ser verdade.</p>
<p><span style="background-color: #ffff00;">(continua&#8230; Em breve publico a segunda parte deste artigo)</span></p>
<p>* </p>
<p>Saiba mais:<br />
- leia a história completa de <a href="http://oserialkiller.com.br/jeffrey-dahmer/" rel="noindex">Jeffrey Dahmer</a><br />
- conheça o canibal alemão <a href="http://oserialkiller.com.br/armin-meiwes-canibal-alemao/" rel="noindex">Armin Meiwes</a><br />
- assista o programa <a href="http://oserialkiller.com.br/o-indice-da-maldade-canibais-vampiros/" rel="noindex">Índice da Maldade &#8211; Canibais e vampiros</a></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://oserialkiller.com.br/o-canibalismo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>24</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>KILLERISMO x TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTI-SOCIAL</title>
		<link>http://oserialkiller.com.br/killerismo-anti-social-psicopata/</link>
		<comments>http://oserialkiller.com.br/killerismo-anti-social-psicopata/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 04 Aug 2008 04:01:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[converter01]]></category>
		<category><![CDATA[killerismo - ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[ensaios]]></category>
		<category><![CDATA[killerismo]]></category>
		<category><![CDATA[psicopatia]]></category>
		<category><![CDATA[transtorno de personalidade anti-social]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://oserialkiller.com.br/2008/08/serial-killer-psicopata-anti-social/</guid>
		<description><![CDATA[Breve história do Transtorno de Personalidade Anti-social O Transtorno de Personalidade Anti-social (TPAS) foi descrito por vários autores antigos (Pinel, Kraepelin, Schneider etc.), embora o portador recebesse outras denominações, como &#8220;psicopata&#8221;, &#8220;sociopata&#8221;, &#8220;amoral&#8221; etc. No DSM-I, era um subtipo do transtorno sociopático (juntamente com os subtipos dissocial, desviante sexual e alcoólico). No DSM-II, os outros <a href='http://oserialkiller.com.br/killerismo-anti-social-psicopata/' class='excerpt-more'>[continuar lendo...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;">
<h4>Breve história do Transtorno de Personalidade Anti-social</h4>
<p>O Transtorno de Personalidade Anti-social (TPAS) foi descrito por vários autores antigos (Pinel, Kraepelin, Schneider etc.), embora o portador recebesse outras denominações, como &#8220;psicopata&#8221;, &#8220;sociopata&#8221;, &#8220;amoral&#8221; etc. </p>
<p>No DSM-I, era um subtipo do transtorno sociopático (juntamente com os subtipos dissocial, desviante sexual e alcoólico). </p>
<p><span id="more-221"></span></p>
<p>No DSM-II, os outros subtipos são retirados, assim como o nome &#8220;sociopático&#8221;. O DSM I e II foram influenciados por trabalhos de Hervey Cleckey, e focavam mais aspectos da personalidade do indivíduo (falsidade, ausência de remorso etc.). As críticas foram sobre a simplificação exagerada. Theodore Millon, por exemplo, defendia a existência de subtipos:<br />
* sádico-agressivo: hostilidade vingativa, desafio destrutivo das convenções;<br />
* histriônico- impulsivo: necessidade de estimulação e excitação;<br />
* exploratório: envolvimento em fraudes, exploração, valendo-se de mentiras, sedução.</p>
<p>Já no DSM-III, por influência de Lee Robins, são valorizados mais comportamentos socialmente indesejados (prisões etc.). Isto também gerou críticas, pois os comportamentos reprováveis podem variar de cultura a cultura. </p>
<p>No DSM-IV e na CID-10 existem tanto aspectos de personalidade quanto comportamentais. </p>
<p>O desenvolvimento do Psychopathy Check List Revised (PCL-R; Hare; 1991) mostrou dois grupos principais de sintomas, um relacionado a fatores inter-pessoais, outros mais à impulsividade e normas sociais. </p>
<h4>KILLERISMO X TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTI-SOCIAL</h4>
<p>Para que seja feito, com segurança, um diagnóstico de transtorno de personalidade anti-social (TPAS), dois aspectos necessariamente  têm de estar presentes:<br />
a) primeiros sintomas aparecendo antes dos 18 anos;<br />
b) sintomas em quantidade suficiente, na idade adulta. </p>
<p>Existe uma grande tendência de pensar-se o <em>serial killer</em> como um portador do TPAS, isto é, como um &#8220;psicopata&#8221; típico. Entretanto, analisando-se detalhadamente a história de vários <em>serial killers</em>, notamos que muitos não preenchem claramente os critérios diagnósticos para TPAS, antes do início do killerismo, e isto pode ocorrer por quatro motivos:<br />
a) início tardio dos sintomas (após os 18 anos);<br />
b) nunca preencheu a quantidade mínima de sintomas para o diagnóstico;<br />
c) poucos sintomas, que só apareceram na idade adulta;<br />
d) não apresentava nenhum sintoma de TPAS até o surgimento do killerismo.  </p>
<p>Entretanto, quando um indivíduo torna-se <em>serial killer</em>, é inegável que, a partir daquele momento, por definição, ele preenche os critérios sintomáticos do TPAS (excetuando-se alguns casos de killeristas portadores de esquizofrenia, demência etc.). </p>
<p>Ou seja, (quase) todo <em>serial killer</em> possui os sintomas de TPAS. (Diga-se de passagem, de um TPAS extremamente intenso, pior que o TPAS &#8220;básico&#8221;). Mas, como nem todos os <em>serial killers</em> preenchem todos os critérios para o diagnóstico seguro de TPAS bem antes do início do killerismo, a hipótese que nos surge é a de que o killerismo é algo aparentado com o TPAS, mas não é, exatamente, este transtorno. Justamente por causa das quatro possibilidades listadas anteriormente (início tardio dos sintomas etc.). </p>
<p>Desta forma, concluímos que existem transtornos que se assemelham ao TPAS, mas não o são. E estes transtornos não estão descritos nos manuais diagnósticos &#8211; a hipótese de sua existência (e notificação) é aventada, nos códigos residuais (F60.9). </p>
<p>A relativa raridade da incidência do killerismo não é razão suficiente para que ele não seja descrito como entidade nosológica à parte, pois é um transtorno bastante grave, por suas conseqüências sociais. Assim, os transtornos de personalidade não-descritos que podem estar associados ao killerismo merecem uma observação mais detalhada. Respectivamente, poderíamos nomear as quatro situações prévias ao killerismo da seguinte maneira:<br />
a) TPAS de início tardio;<br />
b) traços de TPAS;<br />
c) traços de TPAS, de início tardio;<br />
d) sem qualquer sintoma de TPAS.  </p>
<p>Somando-se a hipótese clássica de TPAS típico antes do killerismo, temos 5 possibilidades reais, neste assunto. Cada hipótese desta pode ser desdobrada, se, em um caso em questão, os dados forem dúbios, permitindo-nos apenas um diagnóstico de &#8220;provável&#8221;.  </p>
<p>O killerismo, partindo-se das cinco situações básicas, pode ser, então, em relação ao TPAS:<br />
a) agravamento de TPAS;<br />
b) agravamento de TPAS de início tardio;<br />
c) agravamento extremo e rápido de traços de TPAS;<br />
d) agravamento extremo e rápido de traços de TPAS de início tardio;<br />
e) surgimento súbito de TPAS, sem sintomas anteriores. </p>
<p>Apesar de defendermos que o killerismo pode surgir sem a presença prévia do TPAS típico, não podemos negar que é alta a incidência de TPAS típico entre os <em>serial killers</em>, maior que na população em geral. Assim, embora o TPAS típico não seja um pré-requisito indispensável para o surgimento do killerismo, a sua presença aumenta a chance da incidência do killerismo. Isto é, é mais provável que o killerismo surja em alguém com TPAS típico do que em alguém que não o tenha. E, da mesma maneira, em vários casos, mesmo que não exista o TPAS típico, existe alguma das outras hipóteses intomáticas (traços, início tardio etc.), o que nos leva também à conclusão de que a presença desta situações facilite o surgimento do killerismo, embora de uma maneira menos intensa que o TPAS típico. Por fim, o killerismo pode surgir em alguém sem nenhum sintoma de TPAS, mas esta situação, pela lógica, é menos comum. </p>
<p>Ou seja, quanto mais critérios de TPAS (idade e/ou sintomas), maior a chance do aparecimento do killerismo. Dito de outra maneira: a presença da doença TPAS típico aumenta a chance do surgimento posterior da doença killerismo; a presença de TPAS atípico também aumenta, mas menos intensamente; contudo, por fim, a doença killerismo também pode surgir em indivíduos até então assintomáticos. </p>
<p>O TPAS é uma doença que facilita o surgimento de outra, semelhante mas bem mais grave, o killerismo. Contudo, são dois transtornos distintos. Fazendo-se algumas comparações médicas, entre tantas possíveis: o tabagismo predispõe ao câncer de pulmão, mas este pode surgir em não-tabagistas; a obesidade favorece o infarto, mas pessoas com peso normal também infartam; uma gastrite pode transformar-se em úlcera, mas a úlcera pode ser descoberta em pessoas que não tinham sintomas de gastrite etc.</p>
<p>Algo precisa ser dito sobre o conceito de &#8220;prévio&#8221;, quando falamos da existência anterior de sintomas de TPAS. É óbvio que o killerismo, quando inicia-se, isto é, no momento do primeiro homicídio, ele não surge exatamente no instante do ataque à vítima. É de se supor que os pensamentos killeristas surgiram no mínimo alguns dias antes &#8211; ou semanas, ou meses, ou até mesmo anos, em alguns casos. Quando estes pensamentos surgem, e o indivíduo já os trata de forma ego-sintônica, isto é, já não discorda deles, neste momento em que não há mais empatia o indivíduo já tem ao menos alguns sintomas de personalidade anti-social. Ou seja, desta maneira, todo killerismo será precedido por alguns sintomas anti-sociais. Isto derrubaria por terra nossa hipótese do killerismo surgir em indivíduos sem qualquer sintoma prévio de personalidade anti-social. Pois, necessariamente, antes do primeiro crime haverá o desejo, o planejamento, a falta de empatia etc., o que já seriam sintomas anti-sociais. </p>
<p>Desta forma, quando afirmamos que o killerismo pode surgir de maneira súbita, isto é, sem sintomas prévios de personalidade anti-social, estamos, na verdade, falando de dois fatores. </p>
<p>O primeiro: entre os sintomas prévios de personalidade anti-social não estamos incluindo os pensamentos homicidas ego-sintônicos que antecedem os atos. Estes são, de fato, não sintomas especificamente da personalidade anti-social, mas sim do próprio killerismo – vide os critérios diagnósticos para TPAS, que não incluem o sadismo e a agressividade totalmente imotivada.</p>
<p>O segundo fator: a questão do tempo entre o surgimento das idéias killeristas até o início dos atos killeristas. Como dito, este pode variar de semanas a anos. Se a latência é curta (semanas), poderíamos falar em um killerismo rapidamente progressivo. Se é prolongada (anos), poderíamos chamá-lo de lentamente progressivo. Mas como separar, exatamente, uma definição de outra? Teríamos que estabelecer um critério, que seria, inevitavelmente, arbitrário. Por exemplo: podemos estabelecer o ponto-de-corte em um ano. Se dos pensamentos killeristas aos atos houve uma latência menor que doze meses, diríamos tratar-se de um killerismo rapidamente progressivo. O critério de tempo ideal deveria ser estabelecido através da mediana da latência em inúmeros casos. Entretanto, este trabalho é difícil de ser realizado, pela escassez deste tipo de dados. Desta forma, a princípio é necessário estabelecer um critério arbitrário. </p>
<p>Em suma, o que estes dois fatores querem dizer é que quando dizemos do surgimento do killerismo em indivíduos antes sãos, estamos falando do período que antecede os pensamentos killeristas ego-sintônicos. É provável que, surgidos tais pensamentos, o indivíduo comece a apresentar outros comportamentos anti-sociais. Isto pode confundir a classificação do caso quanto a presença prévia ou não de sintomas anti-sociais. Estes só devem ser considerados como anti-sociais puros se, apesar deles, não houvessem ainda sintomas do killerismo, como o pensamento killerista. Esta distinção é especialmente difícil em casos de killerismo lentamente progressivo. </p>
<h4>Classificações do killerismo</h4>
<p>O killerismo, assim como pode ser classificado de acordo com a rapidez com que se desenvolve, pode ser visto sob outros prismas. Um deles é sua gravidade. </p>
<p>O killerismo &#8220;básico&#8221;, isto é, sua essência, é a prática do homicídio. De forma alguma poderíamos chamá-lo de &#8220;leve&#8221;, dada a gravidade das conseqüências da doença. Entretanto, existe uma forma que é pior que esta, que é a forma sádica. </p>
<p>Vejamos superficialmente o caso do &#8220;Filho de Sam&#8221;, David Berkoitz. Suas vítimas eram atingidas com tiros, nada mais. Após a execução do ato, ele evadia-se. Não haviam facadas, não havia tortura, não havia estupro, nada disto. Caso diametralmente oposto, neste quesito, a John Wayne Gacy, por exemplo. </p>
<p>Quanto à gravidade, existe ainda outra possibilidade de avaliação, que, em termos sociais, é a mais importante: o número de vítimas. Certo é que um <em>serial killer</em> que matou 10 pessoas em 10 anos e foi preso fez mais mal à sociedade que um que matou 5 pessoas em 5 meses e também foi preso. Entretanto, neste segundo caso, a periculosidade era bem maior (1 vítima/mês x 1 vítima/ano).  Novamente, aqui, teríamos que estabelecer um critério matemático para o ponto-de-corte, e talvez fosse melhor fazermos uma distinção não em duas categorias, mas em três: periculosidade básica, intensa e extrema. Mais uma vez, o termo &#8220;leve&#8221; seria despropositado, quase um desrespeito às vítimas. Apenas inicialmente, na ausência das análises matemáticas, poderíamos estabelecer os seguintes critérios arbitrários, para exemplificar: básica: uma vítima a cada 6 meses ou mais; intensa: uma vítima a cada 1 a 6 meses; extrema: uma vítima ou mais por mês. </p>
<p>Uma outra classificação possível é quanto à presença de sintomas acessórios. São assim chamados porque não são essenciais – essencial, mesmo, é o homicídio. Como o sadismo está incluído no critério de gravidade, também não o colocamos aqui. Desta forma, os sintomas acessórios são as &#8220;bizarrices&#8221;, a &#8220;assinatura&#8221; do <em>serial killer</em>. Estão aqui a necrofilia, a mutilação post-mortem, o canibalismo, os souvenirs. </p>
<p>É importante especificar-se o tipo de sintoma acessório, visto que podem ter significados bastante diferentes. </p>
<p>Por fim, uma última classificação possível é quanto à evolução da doença. Este item gera controvérsias. Em alguns (poucos) casos, aparentemente o <em>serial killer</em> para de matar. Não estamos falando, obviamente, de criminosos presos, mas sim do solto. Citemos um exemplo, do <em>serial killer</em>  conhecido como &#8220;Zodíaco&#8221;: apesar de nas suas cartas afirmar que a contagem de mortos não parava de crescer, muitos acreditam que, na verdade, ele teria parado de matar quando atingiu o seu suposto objetivo (mídia etc.), parando para não correr riscos de ser pego, e falando destes números crescentes apenas para aterrorizar. </p>
<p>Classificações do killerismo:<br />
* quanto à presença prévia de sintomas anti-sociais<br />
* quanto à velocidade do desenvolvimento<br />
* quanto à gravidade<br />
* quanto à periculosidade<br />
* quanto à presença de sintomas acessórios<br />
* quanto à evolução  </p>
<p>A agressividade, propõe-se, pode ser de dois tipos básicos: afetiva x predatória (Raine et al., 1998) – ou reativa x operativa (Blair et al., 2001).  A operativa ou predatória é a planejada, pré-determinada, não dependente de alguma provocação. Vias neurais distintas podem estar envolvidas em cada tipo de agressividade.</p></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://oserialkiller.com.br/killerismo-anti-social-psicopata/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

