Uma distinção fundamental na análise de casos de médicos e enfermeiros assassinos é o motivo que leva o “profissional” a cometer seus atos. O motivo pode ser parcialmente descoberto pelo tipo de vítimas. Há aqueles que matam apenas doentes terminais, já condenados a morrer, vítimas de câncer, AIDS etc. Estes geralmente alegam que agiram por motivos humanitários, para abreviar o sofrimento dos pacientes. Isto é, estariam praticando a eutanásia.
“Eutanásia” é uma palavra formada de radicais gregos que significa “boa morte”.
Alguns países já legalizaram a eutanásia, mas é fato incontestável que, onde é ilegal, é praticada à margem da lei. O que devemos diferenciar, neste nosso estudo, são duas posições básicas que podem assumir quem a pratica.
Uma coisa é um médico ceder aos apelos de um paciente para acabar com seu sofrimento, suas dores. Ou aos clamores da família, com gastos enormes para manter apenas respirando alguém já em morte cerebral há vários meses.
Outra coisa é o médico decidir por conta própria matar os pacientes terminais, sem consultá-los ou às famílias, muitas vezes indo contra os desejos destes. Este médico ou enfermeira está atendendo aos seus desejos e, mesmo que alegue que não queria ver tal paciente sofrer, indiscutivelmente está passando sobre um direito do paciente que, afinal, mesmo sofrendo, pode preferir continuar vivo.
A história de Jack Kevorkian, o “Doutor Morte”
O mais famoso defensor e praticante da eutanásia, que foi apelidado de “Doutor Morte”, o americano Jack Kevorkian, nasceu em 1928 e ainda vive.
Seu caso está numa posição entre as duas situações básicas. Ele não sai matando quem não pediu para morrer, mas também não é um médico que praticou a eutanásia eventualmente, em apenas um ou outro caso específico, atendendo ao pedido de um ou outro paciente. Ao defender abertamente a eutanásia, passou a ser procurado por vários pacientes e familiares que desejavam o fim indolor da vida.

