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	<title>O Serial Killer &#187; análises psicológicas</title>
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	<link>http://oserialkiller.com.br</link>
	<description>serial killers famosos: livros, fotos, histórias, notícias etc.</description>
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		<title>JOHN LIST</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Nov 2009 11:16:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[análises psicológicas]]></category>
		<category><![CDATA[histórias]]></category>
		<category><![CDATA[John List]]></category>
		<category><![CDATA[spree murder]]></category>

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		<description><![CDATA[Este site, como sabem, é uma coleção de histórias sobre serial killers. A que você lerá a seguir, entretanto, não é sobre um serial killer, mas sobre um assassino em massa. Resolvi colocá-la aqui no site porque é uma história muito interessante! (E quem sabe se ele não matou mais?!) A história de John List <a href='http://oserialkiller.com.br/john-list/'>[continuar lendo...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;">Este site, como sabem, é uma coleção de histórias sobre <em>serial killers</em>. A que você lerá a seguir, entretanto, não é sobre um <em>serial killer</em>, mas sobre um assassino em massa. Resolvi colocá-la aqui no site porque é uma história muito interessante! (E quem sabe se ele não matou mais?!)</p>
<h3>A história de John List</h3>
<div id="attachment_1281" class="wp-caption alignleft" style="width: 166px"><img class="size-full wp-image-1281" title="John List" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/john-list.jpg" alt="John List" width="156" height="206" /><p class="wp-caption-text">John List</p></div>
<p>John Emil List nasceu em 1925, no Estado de Michigan, nos Estados Unidos. Era filho único de John Frederick List e Alma List. Seus pais eram religiosos, luteranos.</p>
<p>Era uma criança cuja mãe não queria que brincasse com outros para que não se sujasse. Superprotetora, dava-lhe alguns banhos por dia. </p>
<p>O pai raramente falava com o garoto, quando queria lhe dizer algo pedia para a mãe falar com &#8220;o garoto&#8221;. A mãe o levava para a igreja. Todos os dias liam a Bíblia juntos, à noite, prática que mantiveram até o dia da morte dela. </p>
<p><span id="more-1271"></span></p>
<p><strong>John List</strong> serviu o exército durante a <a href="http://2aguerramundial.com.br" rel="noindex,nofollow" target="_blank">2a Guerra Mundial</a> (1939 &#8211; 1945), mas sem ir para o campo de batalha. Seu pai morreu em 44, e List não demonstrou muita tristeza. </p>
<p>John List formou-se em Administração e depois especializou-se em Contabilidade.</p>
<p>Conheceu Helen em 1951. Ela era uma jovem viúva, com uma filha. A mãe não gostou da garota &#8211; e vice-versa, e assim seria daí em diante. Helen mentiu a List que ficara grávida dele e logo se casaram.</p>
<p>Tiveram 3 filhos: Patricia, John Jr e Frederick.</p>
<p><img class="size-full wp-image-1278" title="Patricia List" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/patricia-list1.jpg" alt="Patricia List" width="81" height="106" /> &lt; Patricia <img class="size-full wp-image-1279" title="John List Jr. " src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/john-list-jr1.jpg" alt="John L. Jr." width="81" height="106" /> &lt; John List Jr. <img class="alignnone size-full wp-image-1280" title="Frederick List" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/john-list-filhos.jpg" alt="Frederick List" width="81" height="106" /> &lt; Frederick</p>
<p>Trabalhando como contador, em 1965 John List conquistou um bom cargo em um banco. Sua mulher o pressionou para comprarem uma casa maior. Ele comprou uma grande, de 18 cômodos, luxuosa, no subúrbio de Westfield, no Estado de New Jersey. Sua mãe ajudou-lhe a pagar pela casa, com a condição de morar lá.</p>
<p>Um ano depois, John List perdeu o emprego. Nos anos seguintes, arrumou outros empregos, mas logo os perdia, e as dívidas se acumularam, a ponto de em 1971 ele estar prestes a falir.</p>
<div id="attachment_1288" class="wp-caption alignright" style="width: 216px"><img class="size-full wp-image-1288" title="John List matou a família" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/john-list-matou-a-familia.jpg" alt="Família de John List" width="206" height="156" /><p class="wp-caption-text">Família de John List</p></div>
<p>Viver na pobreza, para ele, era um pecado. De fato, para algumas religiões protestantes, Deus quer que você trabalhe e enriqueça. (O sociológico alemão Max Webber [1864 - 1920] mostrou que a razão do sucesso de alguns países era a religião que seguiam, no seu livro &#8220;A ética protestante e o espírito do capitalismo&#8221;).</p>
<p>Mas sua família não sabia que ele estava sem emprego, em novembro de 1971. Porque ele todos os dias se arrumava e saía de casa, dizendo que ia para o trabalho, mas passava o dia em uma estação de trens. List fez isto por meses!</p>
<p>Um dia, John List comentou com alguém que, com seus conhecimentos, seria fácil assumir uma nova identidade&#8230;</p>
<h3>O crime de John List</h3>
<p>5 de novembro de 1971. John List tem uma estranha conversa com seus filhos. Diz que eles devem estar preparados para a morte. Pergunta se prefeririam ser enterrados ou cremados. Eles respondem que preferem ser enterrados. John se levanta e sai sem dizer mais nada. </p>
<p>9 de novembro. Seus filhos vão para a escola. John List resolve, enfim, executar o plano que vinha maquinando há algum tempo, meticulosamente. Ele vai à garagem e pega duas armas: seu calibre 22 que trouxe da Guerra e uma 9 milímetros que era de seu pai.</p>
<p>Sua esposa Helen, de 46 anos, mesma idade de List, tomava o café da manhã. Ele chega pelas suas costas e dá-lhe um tiro na cabeça. Vai então até sua mãe, que tinha 84 anos, e acerta um tiro no olho esquerdo.</p>
<p>John para, limpa o sangue e a bagunça, e então arrasta o corpo de sua esposa para a sala de festas da casa. Na carta que deixa ao pastor de sua igreja, avisa: &#8220;P. S. Minha mãe está no closet. Ela era muito pesada para ser carregada.&#8221;</p>
<div id="attachment_1283" class="wp-caption aligncenter" style="width: 316px"><img class="size-full wp-image-1283" title="John List, fotos das vítimas" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/john-list-fotos-das-vitimas.jpg" alt="A mãe de John List" width="306" height="231" /><p class="wp-caption-text">A mãe de John List</p></div>
<p>John troca de sapato e sai de casa para resolver algumas questões: envia uma carta para a escola de seus filhos dizendo que iriam viajar; vai ao banco e saca 2 mil dólares; cancela a entrega do jornal, do leite e, por fim, vai ao correio pedir que não entreguem cartas mais no seu endereço.</p>
<p>List volta para casa e come. Lava as vasilhas.</p>
<p>Seus filhos Patricia, 16 anos, e Frederick, 13, voltam para casa. John Jr., de 15 anos, ficou na rua porque iria jogar futebol. John List acerta os dois filhos também pelas costas, na cabeça. Arrasta os corpos para junto do da esposa.</p>
<p>E aguarda John Jr. chegar, para terminar o que planejara. Quando o garoto chega, ele pretende repetir o <em>modus operandi</em>: tiro na parte de trás da cabeça. Mas seu filho não morre imediatamente, parece tenta lutar. Para garantir sua morte, e selar o dia, List dispara cerca de dez vezes, uma arma em cada mão, contra o garoto que levava o seu nome.</p>
<p>John List arrasta o filho morto para junto dos outros corpos. Coloca todos sobre sacos de dormir, cobre seus rostos com panos. Já é quase fim do dia.</p>
<p><img class=" aligncenter size-full wp-image-1285" title="vítimas de John List" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/john-list-assassino.jpg" alt="List matou a família" width="306" height="231" /></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1286" title="vítimas de John List" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/john-list-vitimas.jpg" alt="vítimas de John List" width="306" height="231" /></p>
<div id="attachment_1284" class="wp-caption aligncenter" style="width: 316px"><img class="size-full wp-image-1284" title="John List vítimas" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/john-list-corpos.jpg" alt="A família de John List, morta" width="306" height="231" /><p class="wp-caption-text">A família de John List, morta</p></div>
<p>Vai ao quarto da esposa (dormiam separadamente), senta-se em sua cama. Vai ao banheiro e vomita. </p>
<p>Vai então ao seu escritório. Guarda a arma em uma gaveta, senta-se à sua escrivaninha e escreve uma carta de 5 páginas para o pastor (escreveu também para outras pessoas, notas mais curtas). Apaga as luzes da casa, diminui a temperatura do termostato, liga o rádio.</p>
<p>&#8220;Caro pastor, lamento acrescentar mais este peso à sua obra. Sei que o que foi feito é errado por tudo que aprendi, e que nenhum dos meus motivos pode justificá-lo.&#8221;</p>
<p>Além dos problemas financeiros, sua esposa estava doente (tinha sífilis, e abusava de tranquilizantes), e ele reclamava também do &#8220;declínio moral&#8221; de sua família &#8211; sua filha começava a voltar tarde para casa e foi pega fumando, sua esposa estava se distanciando de Deus&#8230; O clima na casa não andava mesmo bom nos dias antes do crime, e Patricia havia dito a um professor seu que temia que seu pai a matasse. </p>
<p>&#8220;Eu sei que muitos dirão: &#8216;Como alguém pode cometer um ato tão horrível?&#8217; Minha única resposta é que não foi fácil, e só puder fazer isto depois de pensar muito.&#8221; </p>
<p>Diz que pediu a Deus uma resposta, uma ajuda, mas Ele não a deu. Encerra a carta com um pedido: &#8220;Por favor lembre-se de mim em suas orações. Eu precisarei delas.&#8221;</p>
<p>Ele disse ainda estar certo de que Deus o perdoaria, já que Cristo havia morrido por ele e por todos os pecadores. </p>
<p>John List reza sobre os corpos (&#8220;Era o mínimo que eu podia fazer&#8230;&#8221;), liga para o pastor e diz que não poderá falar na igreja, no próximo sábado. Alimenta os peixes, liga seu carro e some&#8230;</p>
<p><div id="attachment_1292" class="wp-caption alignright" style="width: 316px"><img src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/john-list-casa-em-chamas.jpg" alt="A casa dos List em chamas" title="A casa dos List em chamas" width="306" height="231" class="size-full wp-image-1292" /><p class="wp-caption-text">A casa dos List em chamas</p></div>Por um tempo, List foi suspeito de ser &#8220;D. B. Cooper&#8221;, nome fictício atribuído a um homem que sequestrou um avião, roubou 200 mil dólares e fugiu pulando de para-quedas. Este crime ocorreu 5 dias após os homicídios.</p>
<p>List planejou os homicídios tão detalhadamente que se passou quase um mês até que o desaparecimento das vítimas fosse notado. Quando a polícia entrou na casa, o rádio deixado ligado ainda tocava, uma música clássica. </p>
<p>A pacata cidade ficou pasma com o crime &#8211; há 8 anos não era registrado um homicídio no município. Dez meses após os crimes, um incêndio intencional queimou a casa.</p>
<p>Sua família foi enterrada em caixões baratos, pois ele não deixara dinheiro para o enterro. </p>
<p>A polícia descobre pouca coisa nas investigações preliminares. Uma das revelações é que List tinha uma caixa postal secreta, onde recebia pornografia. O carro estava no aeroporto e seu passaporte sumira, talvez ele tivesse saído do país. </p>
<p>Em pouco tempo, o caso cai no limbo.</p>
<p>&#8230;</p>
<p>18 anos se passam, estamos em 1989. Um detetive decide levar o caso de List, há muito esquecido, ao programa &#8220;America&#8217;s Most Wanted&#8221; (&#8220;Os mais procurados da América&#8221;, um espécie de &#8220;Linha Direta&#8221; dos EUA), que havia estreado há pouco tempo. Os diretores do programa inicialmente não quiseram exibir o caso, era muito antigo, mas depois foram convencidos de que era um caso interessante e importante. </p>
<p>Antes da exibição do programa, foi solicitado a um &#8220;artista forense&#8221;, Frank Bender, que fizesse um busto simulando como estaria List atualmente, já que as fotos disponíveis dele eram muito antigas. </p>
<div id="attachment_1275" class="wp-caption aligncenter" style="width: 316px"><img class="size-full wp-image-1275" title="John List, America's Most Wanted" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/john-list-americas-most-wanted.jpg" alt="O busto de John List" width="306" height="231" /><p class="wp-caption-text">O busto de John List</p></div>
<p>John List costumava assistir ao programa, mas, naquela noite, havia ido à igreja. Uma vizinha assistia e ligou para a polícia. Ele chegou a tempo de ver o final. Transpirou um pouco, mas decidiu não fugir novamente. </p>
<p>Após o programa, mais de 200 ligações foram recebidas, falando sobre o paradeiro de List nos últimos anos. Atualmente, ele estava morando em outro estado (Virginia). Logo a polícia chegou a ele &#8211; e o senhor preso se parecia muito ao trabalho do artista.</p>
<div id="attachment_1282" class="wp-caption aligncenter" style="width: 316px"><img class="size-full wp-image-1282" title="John List - arte forense" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/john-list-retrato.jpg" alt="John List e simulação" width="306" height="231" /><p class="wp-caption-text">John List e busto</p></div>
<p>Um perfil psicológico ajudou o artista &#8211; List usaria pesados óculos para ter um ar professoral, transmitir segurança.</p>
<p>List estava casado novamente. Sua esposa me mostrou muito surpresa com toda a revelação. Para começar, ela pensava que o nome dele era Robert Peter Clark! Ou &#8220;Bob&#8221;, para os íntimos. &#8220;Robert Clark&#8221; era o nome de um colega de faculdade de John List. </p>
<p>List tinha se casado há poucos anos. Conhecera a nova esposa em 1977, e se casaram 8 anos depois. Ela afirmou: &#8220;Meu marido é um homem gentil, amoroso e protetor. Quem conhece o Robert sabe que ele só quer fazer o bem. Ele tem muita fé e ama a Deus.&#8221;</p>
<p>Estranhamente, sua nova vida repetia a anterior: ele ainda trabalhava como contador, frequentava a igreja e morava em uma grande casa.</p>
<div id="attachment_1290" class="wp-caption alignleft" style="width: 241px"><img class="size-full wp-image-1290" title="John List preso" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/john-list-preso.jpg" alt="John List preso" width="231" height="306" /><p class="wp-caption-text">John List preso</p></div>
<p>Quando foi pego, ele não se assustou, e não confessou imediatamente. Foi levado para New Jersey dizendo ainda ser o tal Robert &#8211; mas, curiosamente, em nenhum momento perguntou por qual motivo estava sendo preso&#8230; Ele apenas continuava a negar ser John, mesmo com a evidência mais indiscutível: as digitais de Robert e John List eram as mesmas!</p>
<p>Mas ele logo cansou-se de negar o óbvio e assumiu todos os fatos.</p>
<p>Por onde andara List todo este tempo? O que ele tinha feito logo após o crime? Não, List não era &#8220;D. B. Cooper&#8221;. List se mudou para outro Estado e alugou um trailer, onde morou por um tempo. Trabalhou em um restaurante. Arrumou novos documentos com o nome falso. Logo viu que não teria problemas com esta nova identidade. Voltou a frequentar a igreja. Fez novos conhecidos. Encontrou Delores Miller e por ela se encantou. Fizeram aula de dança juntos. Ele disse a ela uma verdade: era viúvo. E uma mentira: sua esposa tinha morrido de câncer. Tudo explicado, se casaram. Mas outra coisa não mudara: continuava a ter problemas em manter seus empregos&#8230; Delores começava a reclamar de sua vida&#8230;</p>
<p>Em 1987, uma reportagem extensa em uma revista, com fotos, contava a história de John List. Uma vizinha do casal leu e teve quase certeza de que Robert era John. Levou a reportagem a Delores e sugeriu que a mostrasse a John, para ver sua reação. Delores concordou &#8211; e quando a amiga foi embora, jogou a revista fora. A vizinha não tocou mais no assunto &#8211; até o dia em que List apareceu na televisão e ela o denunciou. </p>
<p>Após ser preso, um psiquiatra analisou John List, e concluiu que ele tinha transtorno de personalidade obsessiva (caracterizado pela meticulosidade, senso de ordem, de organização), com o qual concordamos. List disse ao psiquiatra que só tinha dois caminhos: assumir a falência ou fazer o que fez. A falência o exporia ao ridículo, e ele ainda ouvia o que seu pai lhe havia ensinado: um homem deve cuidar de sua família, prover-lhe o necessário.</p>
<p>Foi julgado em 1990. Em nenhum momento demonstrou remorso por seus crimes. A irmã de Helen fez-lhe uma pergunta que a consumiu por quase duas décadas: &#8220;Por quê?&#8221;. Ele respondeu apenas: &#8220;Porque não havia outro jeito.&#8221;</p>
<p>List disse que só lembrava do crime no dia do aniversário dos homicídio, 9 de novembro. </p>
<p>Tentou alegar insanidade, mas foi condenado a cinco prisões perpétuas, uma para cada homicídio. Para o promotor, List era cruel e calculista como o Demônio. </p>
<p>Em uma entrevista que deu em 2002, direto da cadeia, referia-se a si mesmo como &#8220;ele&#8221;, quando contava a história. Foi questionado sobre ter parado para comer, calmamente, após os crimes, e se defendeu: &#8220;Eu estava com fome! Apenas isto.&#8221; E disse que, como relação à mãe, cumprira o que havia prometido ao pai: cuidar dela até o fim, evitar que sofresse. </p>
<p>Morreu em março de 2008. Na prisão. Com 82 anos (Na Justiça americana não há a condescendência da brasileira, presos não têm muitos benefícios por serem idosos.).</p>
<p>Foi enterrado próximo ao túmulo de sua mãe.</p>
<p>Talvez esteja no Céu com sua família. Se Deus existe, seus mistérios são insondáveis&#8230;</p>
<div id="attachment_1298" class="wp-caption aligncenter" style="width: 216px"><img src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/11/list-family-grave.jpg" alt="Helen List e filhos" title="túmulo da família List" width="206" height="156" class="size-full wp-image-1298" /><p class="wp-caption-text">Helen List e filhos</p></div>
<p>*</p>
<p><span style="font-size:75%">Fontes:<br />
* em vídeo: <a rel="noindex,nofollow" target="_blank" href="http://oserialkiller.com.br/o-indice-da-maldade#john-list">&#8220;O Índice da Maldade &#8211; John List&#8221;</a><br />
* textos (todos em inglês): <a rel="noindex,nofollow" target="_blank" href="http://www.trutv.com/library/crime/notorious_murders/family/list/1.html">Crime Library</a>, <a rel="noindex,nofollow" href="http://en.wikipedia.org/wiki/John_List" target="_blank">Wikipédia</a>, <a rel="noindex,nofollow" href="http://www.esquire.com/the-side/feature/dead-beat-dads-060909" target="_blank">Esquire: &#8220;Dead Beat Dads&#8221;</a>, <a rel="noindex,nofollow" href="http://www.amw.com/features/feature_story_detail.cfm?id=2613" target="_blank">America&#8217;s Most Wanted</a></p>
<p>* </p>
<p>Saiba mais sobre John List (links externos, material em inglês):<br />
* programa &#8220;American Justice&#8221; sobre John List no Youtube (45 minutos, contém entrevista) &#8211; <a href="http://www.youtube.com/watch?v=oDdJEQyPUX4" rel="noindex,nofollow" target="_blank">ver</a><br />
* livro &#8220;Righteous Carnage &#8211; The List Murders in Westfield&#8221; (visualização parcial no Google Books) &#8211; <a href="http://books.google.com/books?id=krisGVvCBbEC&#038;printsec=frontcover&#038;dq=the+list+murders&#038;hl=pt-BR#v=onepage&#038;q=&#038;f=false" rel="noindex,nofollow" target="_blank">ver</a><br />
* recortes de jornais da época &#8211; <a href="http://www.goleader.com/list/list.pdf" rel="noindex,nofollow" target="_blank">ver</a></p>
<p>*</p>
<p>Mais sobre John List aqui no nosso site:<br />
* <a rel="noindex,nofollow" href="http://oserialkiller.com.br/john-list-analise-psicologica/">análise psicológica de John List</a>
</div>
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		</item>
		<item>
		<title>O ASSASSINO DO ZODÍACO – ANÁLISE PSICOLÓGICA</title>
		<link>http://oserialkiller.com.br/o-assassino-do-zodiaco-analise-psicologica/</link>
		<comments>http://oserialkiller.com.br/o-assassino-do-zodiaco-analise-psicologica/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 02 Jul 2008 04:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[análises psicológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Zodíaco]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://oserialkiller.com.br/2008/07/serial-killers-zodiaco-parte-ii-analise-do-caso/</guid>
		<description><![CDATA[Você conhece a história do Assassino do Zodíaco? Leia antes! O Assassino do Zodíaco é um daqueles tipos de serial killer que, apesar de pouco comuns, costumam inspirar roteiristas filmes: os que gostam de fazer uma espécie de jogo com os investigadores (vide, por exemplo, a recente série de filmes “Jogos Mortais” etc.). Seria um <a href='http://oserialkiller.com.br/o-assassino-do-zodiaco-analise-psicologica/'>[continuar lendo...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-157" title="Assassino do Zodíaco, serial killer" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/09/zodiaco-2.jpg" alt="Assassino do Zodíaco, serial killer" width="100" height="154" / rel="noindex,nofollow" target="_blank">Você conhece a história do <a rel="noindex,nofollow" target="_blank" href="http://oserialkiller.com.br/o-assassino-do-zodiaco-analise-psicologica/">Assassino do Zodíaco</a>? Leia antes!</p>
<p><strong>O Assassino do Zodíaco</strong> é um daqueles tipos de <em>serial killer</em> que, apesar de pouco comuns, costumam inspirar roteiristas filmes: os que gostam de fazer uma espécie de jogo com os investigadores (vide, por exemplo, a recente série de filmes “Jogos Mortais” etc.).</p>
<p>Seria um caso bastante interessante para uma análise, caso a sua identidade houvesse sido efetivamente descoberta, pois então teríamos uma história da vida do criminoso. Apesar de toda a suspeita sobre Allen, os dados biográficos a seus respeito disponíveis, embora interessantes, não permitem a construção de uma curva vital consistente.</p>
<p>Mesmo sem a descoberta da identidade, existe um procedimento feito pela polícia que é a construção de um perfil psicológico do criminoso com base apenas nas informações deixadas na cena do crime, como o &#8220;modus operandi&#8221; (meio utilizado para conseguir seu objetivo – no caso, matar) e a chamada &#8220;assinatura&#8221; do criminoso – tudo o que ele faz que não é necessário para a conclusão do ato.<br />
Gregg O. McCrary, do FBI, tentou estabelecer este perfil do Zodíaco . Não é fácil. Por exemplo: atacou três casais namorando, o que poderia sugerir um ressentimento contra relacionamentos afetivos. Além disso, dois homens sobreviveram, um dos indícios de que a violência dirigida às mulheres era maior. Contudo, a última vítima confirmada, era um homem, isoladamente &#8211; o taxista.</p>
<p><span id="more-202"></span></p>
<p>Os dois primeiros casais atacou à noite – o terceiro já foi durante o dia. Os dois primeiros casais foi com um revólver – o terceiro foi com faca. No caso do taxista, voltou a atacar à noite e com revólver, mas aí já não era mais um casal.</p>
<p>É bem verdade que nenhum <em>serial killer</em> segue fielmente um padrão imutável em todos os ataques. O que há, geralmente, é uma faixa dentro da qual ele age: uma certa aparência física, uma certa faixa de idade etc. também é verdade que o padrão pode ir mudando, por vários motivos: um aprendizado que passa a ter sobre certas vítimas serem mais fáceis que outras, ou o fato matar de um tipo de vítima dar mais prazer que outros etc.</p>
<p>Através das cartas, pode-se estabelecer algumas coisas sobre sua vida: alguém que gosta de astrologia, por exemplo. Mas por mais que se junte este tipo de informações, elas não completam um quadro perfeito.</p>
<p>Apesar disto, McCrary estabelece uma hipótese que parece interessante sobre a motivação de todos estes crimes: obter notoriedade. Ele supõe que Zodíaco era, de certa forma, alguém fracassado na vida. Contudo, deveria julgar-se alguém que foi injustamente derrotado. O jogo que estabelece, com a polícia e, através dos jornais, com toda a população, coloca-o numa posição, enfim, de superioridade. Passa a &#8220;ser alguém&#8221;, como Jack, O Estripador – ninguém sabe quem era, mas todos sabem que existiu.</p>
<p>Continuando sua explanação, McCrary diz que, depois que conseguiu toda a mídia para si, Zodíaco pode ter mesmo parado de matar, após o incidente do taxista. Ele já estava matando na cidade grande, e isso alarmou a todos. As cartas, a ameaça às crianças, a história da bomba, isto já bastava para manter o suspense e a mídia. Matar, agora, era um risco que não precisava correr.</p>
<p>É uma boa teoria. Mas, segundo alguns, seria contraditória porque, se queria mesmo a fama, em algum momento deveria ter aparecido em carne-e-osso: seja em uma confissão voluntária ou deixando pistas melhores para a polícia. Aliás, se fosse Allen: ele teve várias oportunidades de afirmar os crimes, mas os negou – o que afasta a segunda hipótese, de querer ser encontrado, se fosse Allen.</p>
<p>Entretanto, a teoria é sustentável, sim. Porque talvez ele não precisasse exatamente da fama, mas da auto-afirmação. Porque ser descoberto significaria uma pena que ele não achava tão compensatória quanto a anônima liberdade.</p>
<p>Esta hipótese se encaixa no caso de Allen. Ficou conhecido, foi interrogado, os detetives viram seu relógio Zodiac e&#8230; continuou o resto da vida em liberdade. A última carta, que perguntava sobre o filme, pode até não ser de autoria do verdadeiro Zodíaco, mas foi atendida – e não apenas com um filme. No último, aliás, Allen aparece como figura central.</p>
<p>Enigmas, várias cartas, provocações à inteligência, solicitações de primeira página dos jornais. É inegável que ele queria aparecer. E conseguiu. Provavelmente não foi o primeiro a agir por este motivo. E não foi o último. Um exemplo comum: é bem conhecido o fenômeno de pessoas que, em casos de grande repercussão, fazem falsas confissões, apenas para aparecer na mídia.</p>
<p>Mas o desejo de auto-afirmação, entretanto, apesar de ser uma hipótese bastante plausível, não deve cegar-nos para o principal. Quantos de nós não desejamos a fama? Não desejamos estar na primeira página dos jornais e ser assunto de todos? Quase todos nós. Entretanto, qual a ínfima parcela de pessoas que teria a coragem de matar, para conseguir isto? E não é apenas matar. Acertar alguém com uma bala de revólver, como nos primeiros crimes, é uma coisa. Exige frieza, mas não tanto quanto esfaquear duas pessoas, por várias vezes. Aqui, um diagnóstico de transtorno de personalidade anti-social cairia bem.</p>
<p>Contudo, não tem como ser definitivo. Há outras pontas soltas. A história de &#8220;todos os que eu matei serão meus escravos&#8221;, que pode apontar para um transtorno delirante, de cunho místico, se realmente Zodíaco acreditou nisso. Mesmo a hipótese de uma personalidade com auto-estima muito baixa buscando afirmação pode ser ofuscada por uma exatamente a contrária: uma personalidade que já era extremamente narcisista, ou seja, de alguém que acredita em um valor muito alto de si mesmo, que não é validado pelo meio que o circunda. Os crimes e a notoriedade seriam então não para corrigir a auto-estima, mas para confirmá-la. Enfim, hipóteses, hipóteses&#8230;</p>
<p>Uma última pergunta interessante a ser feita é: por que o Zodíaco sumiu? Morreu? O dono da identidade foi preso, por algum outro motivo qualquer? Sarou, se era doente? Cansou-se da brincadeira, estando satisfeito com o resultado? Nunca se saberá&#8230;</p>
<p>*</p>
<p>Veja ainda:<br />
* outros <a rel="noindex,nofollow" href="http://oserialkiller.com.br/serial-killers/">serial killers</a>.
</div>
]]></content:encoded>
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		<title>TED BUNDY – ANÁLISE PSICOLÓGICA</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jul 2008 02:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[análises psicológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Ted Bundy]]></category>
		<category><![CDATA[serial killers famosos]]></category>

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		<description><![CDATA[Leia antes: história completa de Ted Bundy. Análise psicológica de Ted Bundy Para qualquer comportamento humano é possível fazer uma hipótese psicológica. As explicações tentadas no caso do serial killer Ted Bundy geralmente unem a questão do desconhecimento da identidade verdadeira da mãe ao sofrimento pelo fato de a primeira namorada ter lhe abandonado. A <a href='http://oserialkiller.com.br/ted-bundy-analise-psicologica/'>[continuar lendo...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-156" title="Ted Bundy, serial killer" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/09/ted-bundy-2.jpg" alt="Ted Bundy, serial killer" width="100" height="154" />Leia antes: história completa de <a target="_blank" rel="index,follow" href="http://oserialkiller.com.br/ted-bundy/">Ted Bundy</a>.</p>
<h3>Análise psicológica de Ted Bundy</h3>
<p>Para qualquer comportamento humano é possível fazer uma hipótese psicológica. As explicações tentadas no caso do <em>serial killer</em> <strong>Ted Bundy</strong> geralmente unem a questão do desconhecimento da identidade verdadeira da mãe ao sofrimento pelo fato de a primeira namorada ter lhe abandonado.</p>
<p>A questão da mãe (o &#8220;Complexo de Édipo&#8221;) sempre foi muito cara à Psicanálise, e parece bastante tentadora na história de Ted Bundy. É fácil dizer que o seu &#8220;ódio às mulheres&#8221; seria decorrente da decepção de ter sido criado como sobrinho, e não como filho, por sua mãe verdadeira.</p>
<p>Mas analisemos melhor a questão. Na infância e adolescência, Ted Bundy acreditava estar vivendo com a irmã, que se casou e teve quatro filhos – também achava, portanto, que os irmãos eram sobrinhos. Mas apesar de acreditar estar vivendo longe dos &#8220;pais&#8221; (os avós), não há relatos sobre receber, por parte da mãe, um tratamento muito diferente do que recebiam os irmãos. Além disto, há um bom lapso de tempo entre a descoberta sobre a mãe verdadeira (por volta dos 23 anos) e o início dos homicídios confirmados (27 anos). Na idade em que descobriu que a &#8220;tia&#8221; era mãe, sua personalidade já estava bastante consolidada e poderia sofrer menos alterações do que se tivesse ficado sabendo anteriormente.</p>
<p><span id="more-196"></span></p>
<p>A verdade é que Ted Bundy foi praticamente &#8220;normal&#8221; até aos 28 anos. Percalços, sim, mas nada demais, aparentemente, visto que na vigência destes problemas, nenhuma mudança importante em sua personalidade ou comportamento são relatadas. Contudo, alguns acreditam que ele tenha matado antes desta idade, mas isto não é certo.</p>
<p>O que acontece nesta época dos primeiros crimes confirmados? De mais significativo, o reencontro com a primeira namorada.<br />
Gostava desta namorada, mas ela não o quis mais, quando eram mais novos. Ele ficou &#8220;deprimido&#8221; por um tempo, e &#8220;obcecado&#8221; nela. Mas isso passou. Agora, ele era mais ativo, determinado, e ela se interessou nele. Têm alguns encontros, e ele some dela, na mesma época em que começam os seus primeiros homicídios confirmados.</p>
<p>Uma das hipóteses mais aventadas, portanto, do ponto de vista psicológico, é uma relação entre este fracasso amoroso e seus crimes. Afinal, suas vítimas foram mulheres que mantinham alguma semelhança física com esta sua primeira namorada. Sugere-se que este reencontro, e o fato dela ter se apaixonado em Ted, tudo tenha sido premeditado por ele como uma vingança pelo desprezo sofrido anos antes. Ted Bundy teria confirmado isto – mas até que ponto suas palavras são confiáveis?! Ou até que ponto ele pode ter sido induzido a concordar com esta hipótese?!</p>
<p>O fato é que este reencontro pode, sim, ter &#8220;mexido com sua cabeça&#8221; de alguma maneira, e ter sido o <em>gatilho</em> do seu killerismo. A &#8220;gota d`água&#8221;, mas não a causa.</p>
<p>Dois pontos precisam ser muito bem assinalados:<br />
1) a história de Ted Bundy não o mostra claramente como um anti-social antes disto;<br />
2) este fato, isoladamente, é muito pouco para justificar o nascimento de um psicopata.</p>
<p>De fato, quantos homens não são abandonados todos os dias pelas mulheres as quais amam? Qual a ínfima minoria destes que torna-se <em><strong>serial killer</strong></em>? Bem verdade que é comum, numa situação destas, o abandonado matar a que abandona (como no caso do jornalista brasileiro Pimenta das Neves<sup>1</sup>, e tantos outros) – e, muitas vezes, suicidar-se, mas não &#8220;empolgar-se&#8221; e sair matando mulheres parecidas com a primeira. Aliás, nem foi esse o caso. Ted não a matou. Simplesmente desapareceu da vida dela.<br />
Muitas vezes, quando uma pessoa sofre uma decepção com alguém e inicia um relacionamento com outra pessoa parecida com aquela primeira, tende-se a falar em &#8220;fixação&#8221;, a falar que &#8220;a história não foi bem resolvida&#8221; etc. Mas não se avalia que o desejo por esta segunda pessoa pode ser tão real quanto pela primeira, e não uma transferência de sentimentos. Ora, se este indivíduo interessou-se pela primeira, é porque já tinha desde então uma disponibilidade para interessar-se por pessoas deste tipo – seja um tipo físico ou psicológico. Sendo assim, se a segunda pessoa é parecida com a primeira, é de supor-se que também haverá um potencial para interessar-se nela. Então é um psicologismo algo inadequado este de associar a aparência de suas vítimas com uma decepção prévia. Ted não necessariamente passou a querer matar mulheres &#8220;brancas, de cabelo preto etc.&#8221; porque sua primeira grande decepção era fisicamente assim. O que podemos dizer com certeza absoluta, apenas, é que Ted sempre teve este potencial para interessar-se por mulheres com este biotipo. Assim como uns gostam mais de orientais, outros de negras, outros de loiras, outros de todas, outros de homens etc.</p>
<p>Contudo, há um fato interessante sobre este reencontro com a primeira namorada. Ele já estava bem, já relacionava-se com outra. Ela então interessa-se nele, e ele a despreza. É comum que quando uma pessoa deseje muito o desejo de outra, e sofre bastante com isso, no momento em que a outra finalmente cede, o que desejava passa a sentir raiva (ou qualquer sentimento semelhante) dela – ou de si mesmo. Porque a outra pessoa o fez sofrer, se humilhar etc. Assim, é até possível que quando a ex de Ted tenha finalmente ajoelhado-se a seus pés ele tenha sentido esta raiva por ela. É possível, mas não uma certeza, estamos apenas especulando. Contudo, outro sentimento comum, após a raiva ou no lugar desta, é o desprezo. O que finalmente foi conquistado não tem mais tanta graça. Quem despreza não precisa matar.</p>
<p>Dito tudo isto, a melhor hipótese para o caso Bundy, de acordo com os dados disponíveis, é que seu killerismo simplesmente &#8220;surge&#8221;, aos 28 anos. Não existem evidências inequívocas, a despeito do farto material disponível em relação à sua biografia, de que ele era tipicamente um anti-social. Os desencadeantes do seu killerismo (não as causas) talvez foram mesmo a decepção com a mãe, ou o reencontro com a ex-namorada – fato que também pode ter moldado o conteúdo da sua psicopatia, isto é, estabelecido suas vítimas preferenciais.</p>
<p>Outro desencadeante, citado por ele, pode ter sido o consumo de pornografia. E, como facilitadores, temos o álcool e as drogas. Mas nem desencadeantes e nem facilitadores são causas. A causa do seu killerismo, nos parece, permanece obscura, incerta.</p>
<h4>O killerismo de Ted Bundy</h4>
<table border="1">
<tbody>
<tr>
<td>Início</td>
<td>27 anos (talvez antes)</td>
</tr>
<tr>
<td>Vitimologia</td>
<td>mulheres jovens, brancas, de cabelos típicos</td>
</tr>
<tr>
<td><em>Modus operandi</em></td>
<td>fingir-se de incapaz e solicitar ajuda -e então, rapto; invasão de domicílio</td>
</tr>
<tr>
<td>Periculosidade</td>
<td>36 vítimas em cerca de 1 ano e meio (descontado período preso) = média de 3 vítimas por mês</td>
</tr>
<tr>
<td>Gravidade</td>
<td>violência física, estupro, necrofilia, mutilações, <em>souvenirs</em></td>
</tr>
<tr>
<td>Psicopatologia provável</td>
<td>Complexo de Édipo; transtorno de conduta; transtornos de personalidade: anti-social, sádica e narcisista; abuso de drogas; transtornos da sexualidade; transtorno de controle de impulsos</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p><span style="font-size:85%;">Nota:<br />
1 &#8211; em agosto de 2000, Antônio Pimenta das Neves, ex-editor-chefe do jornal O Estado de São Paulo assassinou sua namorada, a também jornalista Sandra Gomide.</span></p>
<p>*</p>
<p>Veja também:<br />
* vídeo: <a rel="noindex,nofollow" href="http://oserialkiller.com.br/o-indice-da-maldade-ted-bundy/">O Índice da Maldade &#8211; Ted Bundy</a> <span style="font-size: 50%;">(11 min.)</span>.
</div>
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		<title>JEFFREY DAHMER – ANÁLISE PSICOLÓGICA</title>
		<link>http://oserialkiller.com.br/jeffrey-dahmer-analise-psicologica/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2008 16:30:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[análises psicológicas]]></category>
		<category><![CDATA[converter]]></category>
		<category><![CDATA[Jeffrey Dahmer]]></category>
		<category><![CDATA[O Canibal de Milwaukee]]></category>
		<category><![CDATA[serial killers famosos]]></category>

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		<description><![CDATA[Antes de ler esta análise psicológica, leia antes a história do serial killer Jeffrey Dahmer. &#8220;Depois de Freud, sempre culpamos os pais por tudo de ruim que as crianças fazem&#8230; Mas o culpado é Dahmer. Não seu pai, não sua família, não a polícia.&#8221; (Dr. James Fox, professor de Justiça Criminal na Universidade de Northeastern <a href='http://oserialkiller.com.br/jeffrey-dahmer-analise-psicologica/'>[continuar lendo...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-full wp-image-151" title="Jeffrey Dahmer, serial killer" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/09/jeffrey-dahmer-2.jpg" alt="Jeffrey Dahmer, serial killer" width="100" height="154" />Antes de ler esta análise psicológica, leia antes a história do <em>serial killer</em> <a rel="noindex,nofollow" target="_blank" href="http://oserialkiller.com.br/jeffrey-dahmer/">Jeffrey Dahmer</a>.</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color:#990000;">&#8220;Depois de Freud, sempre culpamos os pais por tudo de ruim que as crianças fazem&#8230; Mas o culpado é Dahmer. Não seu pai, não sua família, não a polícia.&#8221;</span> <span style="font-size:75%">(Dr. James Fox, professor de Justiça Criminal na Universidade de Northeastern e especialista em <em>serial killers</em>.)</span></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><span style="color:#990000;">&#8220;Hoje, a genética está ganhando terreno sobre o behaviorismo na capacidade de explicar porque as pessoas tornam-se criminosos. No caso de Jeffrey Dahmer, a genética pode ser a única explicação.&#8221;</span> <span style="font-size:75%">(Marilyn Bardsley, uma das fundadoras do site Crime Library.)</span></p>
</blockquote>
<p><span id="more-528"></span></p>
<div style="text-align: justify;">Nossa mente anseia tanto por explicações, por relações visíveis de causa e efeito, que não aceitamos facilmente os efeitos &#8220;invisíveis&#8221;. Nas situações em que menos há uma causa óbvia, nestas mais facilmente somos tentados a criar uma explicação, achar um culpado, um bode expiatório.</p>
<p>O pai do <em><strong>serial killer</strong></em> Jeffrey Dahmer, o senhor Lionel Dahmer, sentiu este efeito não na pele, mas na alma. Logo após a descoberta do crime, a mídia, tentando psicologizar <strong>Jeffrey Dahmer</strong>, sugeriu que a culpa de tudo poderia ser dos pais. Da ausência de afeto. Da criação. Da separação. Da madrasta. Etc.</p>
<p>Ora, a vida de Jeffrey Dahmer não diferia em nada da vida de milhares de outras crianças e jovens americanos daquela época. E quantas destas crianças tornaram-se <em>serial killers</em>?</p>
<p>Olhando em retrospectiva, Jeffrey Dahmer era uma criança estranha: gostava de animais mortos, talvez os matava, era introvertido etc. Mas estas análises são perigosas. Será que, se conhecêssemos Jeffrey ainda criança, o acharíamos tão estranho? Isto é, Jeffrey não passava o dia todo mexendo com animais mortos. Por certo, boa parte do tempo fazia coisas que crianças normais também fazem: ia à escola, fazia tarefas, assistia televisão, saía com seus pais etc.</p>
<p>Na adolescência, Jeffrey Dahmer continuou a ter comportamentos inadequados, como o abuso de álcool. Mas nada ainda que se pudesse dizer: &#8220;este rapaz será um futuro <em>serial killer</em>!&#8221;.</p>
<p>Lionel, o pai, não é o culpado pelos crimes de Jeffrey. Não poderia prevê-los. Não poderia imaginá-los. Provavelmente não poderia nem mesmo evitá-los. Ao contrário do que se poderia afirmar sobre o pai ser conivente e relapso com os comportamentos desviantes de Jeffrey, Lionel até insistiu na necessidade de um tratamento psicológico para o filho quando este foi preso pelo abuso de um menor. Mas a Justiça também não foi capaz de ver naquele réu um potencial <em>serial killer</em>.</p>
<p>Lionel também tentou fazer com que Jeffrey &#8220;entrasse no eixo&#8221; em outros aspectos de sua vida: parar de beber, começar a trabalhar etc.</p>
<p>Quando se olha para trás, é fácil culpar a todos. Mas, então, a Justiça deveria instituir tratamentos agressivos a todos os culpados de crimes sexuais como se fossem pré-<em>serial-killers</em>? Seria inviável – e um desperdício de verbas, na grande maioria dos casos, já que apenas uma ínfima fração deste tipo de criminosos virará um assassino em série.</p>
<p>Analisamos, portanto, o caso de Jeffrey Dahmer da seguinte maneira. Uma criança tímida com alguns comportamentos bizarros, necrófilos. Vivendo em um lar relativamente normal. (Há uma indicação de que tenha sido violentado na infância, mas não foi confirmada. Isto realmente mudaria algumas interpretações que fazemos.)</p>
<p>Um adolescente ainda introvertido. Abusando de álcool. E ainda gostando de animais mortos. Já adulto: homossexual, sem firmeza para o trabalho. Ainda introvertido (personalidade esquizóide?) e abusando da bebida. O que há de realmente muito doentio até aí? Nada! Não que sejam comportamentos desejáveis pela sociedade.  Mas também longe de representarem uma grande doença.</p>
<p>A doença começa a aparecer mesmo com o abuso de um menor. Isto sim é um ato altamente desviante, reprovável, legalmente condenável etc. Foi a primeira vez que tornou-se visível para a sociedade que Jeffrey tinha impulsos sexuais agressivos e não conseguia controlá-los. Visíveis para a sociedade, porque para Dahmer já estavam aflorados há muitos anos: Jeffrey Dahmer matou pela primeira vez aos 18 anos.</p>
<p><a rel="noindex,nofollow" href="http://oserialkiller.com.br/o-perfil-de-um-assassino-raising-jeffrey-dahmer-filme/" target="_blank">Um filme sobre Dahmer (&#8220;O perfil de um assassino&#8221;)</a> levanta uma hipótese interessante: seu pai era químico, e vivia fazendo experiências em laboratório, e por isto Jeffrey gostava de fazer experiências com animais – e com suas vítimas (injetando ácidos em seus cérebros, por exemplo).O velho Complexo de Édipo, o filho querendo imitar o pai etc. Interessante teoria, mas que explica as experiências de Dahmer, mas não os homicídios.</p>
<p>Ficamos fortemente, no caso de Jeffrey Dahmer, com a hipótese genética para o seu killerismo. Ficamos também com um provável diagnóstico de transtorno personalidade esquizóide. Pessoas com este transtorno têm um grau de introversão muito alto. Não é exatamente &#8220;timidez&#8221; – é um desinteresse por contatos afetivos. Mas Jeffrey Dahmer não gostava de homens? Sim, mas não como seres humanos, e sim como objetos – literalmente.</p>
<p>Um esquizóide que no início da vida adulta vê seu killerismo aflorar. Este foi Jeffrey Dahmer, <em>serial killer</em> que acabaria sendo assassinado na prisão&#8230;</p>
<p>*</p>
<p>Veja também:<br />
* <a href="http://oserialkiller.com.br/filmes-jeffrey-dahmer/" rel="noindex,nofollow" target="_blank">filmes sobre Jeffrey Dahmer</a><br />
* outros <a href="http://oserialkiller.com.br/filmes-sobre-serial-killers/" rel="noindex,nofollow">filmes sobre <em>serial killers</em></a>
</div>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>ED KEMPER – ANÁLISE PSICOLÓGICA</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2008 12:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[análises psicológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Ed Kemper]]></category>
		<category><![CDATA[serial killers famosos]]></category>

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		<description><![CDATA[Leia antes a história de Ed Kemper, caso não a conheça. * Estranhamente, Ed Kemper não é um serial killer muito &#8220;badalado&#8221;, muito conhecido. Isto é incompreensível, por uma série de motivos: é americano, matou a mãe, talvez praticou canibalismo, está vivo e consegue falar de uma forma muito bem articulada. Talvez não seja tão <a href='http://oserialkiller.com.br/ed-kemper-analise-psicologica/'>[continuar lendo...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5207527785516416962" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: none" src="http://bp2.blogger.com/_6dfzHZrDGjM/SETa7iWuv8I/AAAAAAAAAF0/02zX6Y0Ib24/s320/SK-Kemper05.JPG" border="0" alt="Ed Kemper, serial killer" title="Ed Kemper, serial killer" />Leia antes a história de <a href="http://oserialkiller.com.br/ed-kemper/" rel="noindex,nofollow" target="_blank">Ed Kemper</a>, caso não a conheça.</p>
<p>*</p>
<p>Estranhamente, <strong>Ed Kemper</strong> não é um <em><strong>serial killer</strong></em> muito &#8220;badalado&#8221;, muito conhecido. Isto é incompreensível, por uma série de motivos: é americano, matou a mãe, talvez praticou canibalismo, está vivo e consegue falar de uma forma muito bem articulada. Talvez não seja tão famoso porque não tenha a arrogância desafiadora de um Ted Bundy ou um Charles Manson? Ou porque não foi ainda matéria de um bom filme?! </p>
<p>Ed Kemper parece um caso típico de transtorno de personalidade anti-social. O diagnóstico recebido na adolescência, de psicótico, parece exagerado, não fundamentado. Um anti-social &#8220;como os de livro&#8221;. Os sintomas surgem claramente antes dos 18 anos – não há indício maior que o assassinato dos avós.</p>
<p><span id="more-194"></span></p>
<p>A história que Ed Kemper conta, de desprezo por parte da mãe, como gênese da coisa toda, tem uma grande penetrabilidade em nossas mentes, facilmente nos deixamos levar por ela, possivelmente porque lembra-nos imediatamente tudo o que já ouvimos falar sobre as relações literalmente &#8220;umbilicais&#8221; entre mãe e filho, complexo de Édipo etc.</p>
<p>Esta história nos seduz por sua obviedade, e é também esta obviedade que quase não nos deixa enxergar como esta explicação é tão fraca. Nossa cabeça funciona em busca de motivos psicológicos, e a história de problemas com a mãe como gênese de problemas já está tão fundamentada em nosso (sub/in)consciente, que talvez mesmo se ele tivesse dito que a mãe sempre lhe tratava bem, mas um dia ela lhe deu um tapa sem motivo, talvez ainda assim acharíamos a explicação plausível.</p>
<p>Mas é justamente frente a estas obviedades psicológicas que devemos tentar manter a lucidez. A pergunta sempre deve ser feita: quantas mães não rejeitam seus filhos? E qual a mínima porcentagem destes chega ao ponto de, por causa disto, virar um <em>serial killer</em>?</p>
<p>Acordemos para os fatos. A mãe de Kemper o trancava no porão. A separação dos pais o privou de seu pai. Sim, tudo isto, mas: e daí?! Onde estão os exageros da história? Kemper foi violentado quando criança? Não! A mãe o espancava? Não, nada disso é relatado!</p>
<p>E mais: se a mãe o trancava no porão, e ele ficou doente depois disso, temos que fazer outra pergunta &#8211; por que ela o trancava lá?! Porque tinha medo de que aquela estranha criança pudesse fazer algo com suas irmãs. Aquela criança que cortava a cabeça das bonecas.</p>
<p>A mãe de Kemper não tem culpa quase nenhuma nesta história. A avó paterna também não. O avô materno também não.</p>
<p>Infelizmente, toda uma série de teorias é construída em casos assim. Inclusive pelo próprio criminoso. E quase todo mundo parece crer nelas sem questionar seus fundamentos. Mas, simplesmente, não tem muita lógica a ligação entre seu &#8220;sofrimento&#8221; na infância e o ponto aonde chegou – matar os avós, matar várias garotas e, por fim, a mãe. Teorias dizem que, matando as garotas, simbolicamente matava a mãe. E que, quando matou a mãe, Ed Kemper deixou de simbolizar, não precisava mais matar ninguém, e por isso se entregou. É uma bela história. E, realmente, faz sentido! </p>
<p>O que não faz é a história da <em>causa</em> do transtorno. Mas esta outra, das conseqüências, até que faz. O que não faz sentido é o ódio mortal que sentia da mãe, antes dos crimes. Este ódio não foi causado pelas atitudes dela. Simplesmente nasceu nele, porque ele praticamente nasceu com um problema, com uma doença. As razões para isto, as justificativas para o ódio, sua mente teve que construir. Teve que reforçar os motivos visíveis, reais.</p>
<p>Poderia ter reforçado de outra maneira, em cima do pai. E ter saído matando e violentando homens. Se o pai tivesse tratado-o tão mal, quando criança. Mas foi a mãe, que não tinha como perceber as conseqüências de seus atos sobre uma criança que <em>já era doente</em>.</div>
]]></content:encoded>
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		<title>ED GEIN – ANÁLISE PSICOLÓGICA</title>
		<link>http://oserialkiller.com.br/ed-gein-analise-psicologica/</link>
		<comments>http://oserialkiller.com.br/ed-gein-analise-psicologica/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 01 Jul 2008 10:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[análises psicológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Ed Gein]]></category>
		<category><![CDATA[complexo de Édipo]]></category>
		<category><![CDATA[necrofilia]]></category>
		<category><![CDATA[serial killers famosos]]></category>

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		<description><![CDATA[Este artigo é recomendado para aqueles que já conhecem a história de Ed Gein. Leia-a antes! Eg Gein é um serial killer? Pela quantidade de homicídios que há certeza de que cometeu, dois, Ed Gein nem poderia ainda ser considerado um serial killer, pela definição do FBI. Entretanto, para o público em geral, Ed Gein <a href='http://oserialkiller.com.br/ed-gein-analise-psicologica/'>[continuar lendo...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-148" title="Ed Gein, serial killer" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/09/ed-gein-2.jpg" alt="Ed Gein, serial killer" width="100" height="154" />Este artigo é recomendado para aqueles que já conhecem a história de <a href="http://oserialkiller.com.br/ed-gein/" rel="noindex,nofollow" target="_blank">Ed Gein</a>. Leia-a antes!</p>
<h3>Eg Gein é um <em>serial killer</em>?</h3>
<p>Pela quantidade de homicídios que há certeza de que cometeu, dois, <strong>Ed Gein</strong> nem poderia ainda ser considerado um <em>serial killer</em>, pela definição do FBI. Entretanto, para o público em geral, Ed Gein é, sim, um <em><strong>serial killer</strong></em>. Este exemplo é mais um entre vários da insuficiência da Classificação de Homicídios do FBI. Na <span style="background-color: #ffff00;">classificação que propomos</span> Ed Gein é um <em>serial killer</em> – ou um portador do killerismo.</p>
<p>Um killerismo de início tardio. Mesmo se considerarmos que foi responsável por todas as mortes das quais é suspeito, seu primeiro homicídio teria sido a morte do irmão. Contava, na época, com 37 ou 38 anos. Se contarmos somente as mortes que realmente podem ser atribuídas a Eddie, ele tinha 48 anos à época do primeiro assassinato.</p>
<p><span id="more-204"></span></p>
<p>Além do início tardio, Ed Gein possuía um killerismo de periculosidade minor. No máximo sete mortes em cerca de 13 anos (novamente considerando-se todos os homicídios que pode ter cometido) – isto é, um a cada dois anos, aproximadamente. Já os dois crimes reconhecidos de Ed Gein ocorreram num intervalo de 3 anos.</p>
<h3>Ed Gein era esquizofrênico?</h3>
<p>Ed Gein foi considerado inapto para o julgamento, mas não há registros de que fosse psicótico, em sentido estrito. Os seus conhecidos o consideravam &#8220;meio estranho&#8221;, mas não &#8220;louco&#8221;. Não há relatos facilmente encontráveis de qual seria o seu diagnóstico à época – a inaptidão para o julgamento possivelmente não dependeria especificamente de um diagnóstico claro. Como o tipo de crime de Ed Gein era pouco conhecido àquele tempo, não havia muita jurisprudência no sentido de considerar-se <em>serial killers</em> (o termo nem existia ainda) como conscientes de seus atos, responsáveis por eles.</p>
<p>Ed Gein não era psicótico, no sentido clássico, por  não apresentar delírios ou alucinações evidentes. Há sugestões de que &#8220;via&#8221; ou &#8220;ouvia&#8221; a sua falecida mãe, e que esta pudesse ter sugerido a ele que aquelas mulheres seriam impuras e deveriam morrer. Entretanto, por tudo o que os vizinhos de Ed falam, ele não era um psicótico típico. O seu comportamento, suas falas, seus atos, seu humor, não condizem com um diagnóstico de esquizofrenia. Talvez esta história de &#8220;ver&#8221; ou &#8220;ouvir&#8221; a mãe pudesse ser mais uma fantasia de Ed, aspectos da sua imaginação, tentando compensar a falta que sentia dela.</p>
<p>Ed Gein também não era um &#8220;psicopata&#8221;, antes de seus crimes – isto é, não apresentava sintomas indubitáveis de transtorno de personalidade anti-social (TPAS). Talvez nem mesmo &#8220;traços&#8221; consistentes deste transtorno. Não apresentava retardo mental. Enfim, então Ed Gein era &#8220;normal&#8221;, antes do início do killerismo!?</p>
<h3>Qual a doença de Ed Gein?</h3>
<p>De fato, Ed Gein não apresentava nenhum transtorno mental maior. No máximo, algum transtorno de personalidade. O tipo de transtorno de personalidade que mais se aproxima das características de Ed Gein é a personalidade esquizóide. A principal característica deste transtorno é a falta de desejo do portador em estabelecer relações sociais. Torna-se isolado, tem poucos amigos.</p>
<table border="1">
<tbody>
<tr>
<td>Critérios diagnósticos para transtorno de personalidade esquizóide (DSM-IV) – presença de 4 ou mais de:</p>
<p>(1) não deseja nem gosta de relacionamentos íntimos, incluindo fazer parte de uma família<br />
(2) quase sempre opta por atividades solitárias<br />
(3) manifesta pouco, se algum, interesse em ter experiências sexual com outra pessoa<br />
(4) tem prazer em poucas atividades, se alguma<br />
(5) não tem amigos íntimos ou confidentes, outros que não parentes de primeiro grau<br />
(6) mostra-se indiferente a elogios ou críticas de outros<br />
(7) demonstra frieza emocional, distanciamento ou afetividade embotada
</td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p>O <em>serial killer</em> Ed Gein apresentava praticamente todas as características descritas para o diagnóstico. Não apenas na época dos crimes, mas já bem antes deles, já mesmo na adolescência e na infância.</p>
<p>Um transtorno de personalidade, acredita-se, seja uma influência de predisposição genética somada a eventos de vida. A predisposição pode ser observada pelo fato de Ed possuir um irmão, que viveu sob a mesma criação do assassino, mas, ao contrário de Gein, manifestava desejo de sair da fazenda, de sair do ambiente isolado do resto do mundo em que viviam.</p>
<p>Por outro lado, existiram os eventos de vida a atuar sobre esta predisposição. A mãe de Ed Gein exercia o seu domínio sobre todos na casa. Era controladora, impunha as suas crenças sobre o marido e filhos. E, no seu modo de ver, o certo mesmo era o isolamento, pois &#8220;o mundo lá fora&#8221; era sinônimo de tentações, de pecados, especialmente a figura feminina. Ed absorveu o que ouvia diariamente.</p>
<p>Um diagnóstico diferencial que o transtorno de personalidade esquizóide exige é com a fobia social, ou timidez patológica. Nos dois casos, há pouco contato social. Só que o fóbico &#8220;não consegue&#8221; estabelecer contato, já o esquizóide não deseja este contato. Assim, o fóbico tenta lutar contra isto. Acaba, por fim, estabelecendo algumas relações nas quais consegue &#8220;se soltar&#8221; mais. Não parece ser o caso de Ed Gein.</p>
<p>O transtorno de personalidade esquizóide, de forma alguma, justifica o killerismo. A necessidade de matar. <span style="background-color: #ffff00;">(ver capítulo X para discussão mais aprofundada sobre o transtorno e sua relação com o killerismo)</span></p>
<p>Entretanto, pode ajudar a explicar um outro aspecto do killerismo de Ed Gein. O killerismo dele, como vimos, é de &#8220;pequena&#8221; periculosidade. Além disto, é de &#8220;baixa&#8221; gravidade, isto é, os aspectos sádicos são pequenos, pelo que se sabe. Alguns killeristas estupram suas vítimas, torturam-nas fisicamente e psicologicamente. Já Ed, aparentemente, não fez isto. Fazia diversos &#8220;experimentos&#8221; com os corpos, mas depois que já tinham sido mortas. Mortas com tiros – o que é menos cruel que matar com facadas, por exemplo. Ou seja, o seu killerismo não parece tanto associado à necessidade de infligir dor, de provar o poder de &#8220;sentir-se Deus&#8221; (como o de <a href="http://oserialkiller.com.br/ted-bundy/" rel="noindex,nofollow" target="_blank">Ted Bundy</a>). Parece mais importante, mais constante e significativa, em sua história, a necrofilia que o killerismo.</p>
<h3>Necrofilia</h3>
<p>Mas a necrofilia não justifica totalmente o killerismo. Ed Gein poderia ter continuado a &#8220;brincar&#8221; apenas com cadáveres de pessoas que não matou. Contudo, por algum motivo, em determinadas épocas ele &#8220;precisou&#8221; matar alguém. Qual seria a razão? Escassez de mortes na região, gerando poucos cadáveres novos? Desejo de manipular um cadáver &#8220;fresquinho&#8221;, ao invés dos que tinham começado a se decompor que desenterrava? Não se sabe com certeza. O que sabemos indubitavelmente é que o desejo de matar surgia. E é isto que caracteriza o killerismo, é isto a sua essência.</p>
<p>Sua necrofilia não gerou, mas facilitou, o killerismo. Já a sua necrofilia não foi gerada, mas foi facilitada, pela sua personalidade esquizóide (que não foi gerada, mas foi facilitada, pela criação que recebeu). A associação entre a necrofilia e o transtorno de personalidade esquizóide (TPE), embora não seja uma regra, pode ser compreendida. O acometido pelo TPE apresenta uma ausência de vontade de contato com outros seres humanos. É isolado, as relações que estabelece são breves, superficiais. Desta forma, o acometido vive &#8220;no seu próprio mundo&#8221;. O TPE não gera o killerismo. Tanto que nem todos os portadores de TPE são necrófilos, e nem todos os necrófilos têm TPE. Contudo, o TPE &#8220;abre um espaço&#8221; para a necrofilia. Se não fosse um esquizóide, Ed Gein teria o desejo de ter contato com outras pessoas. Este contato reduziria o espaço psíquico para as suas fantasias necrofílicas. Reduziria mesmo o tempo disponível para que estas fantasias fossem alimentadas e crescessem.</p>
<p>Já a escolha das vítimas de Ed Gein parece bastante relacionada com os problemas de sua ligação com sua mãe. Uma relação que era muito próxima, muito fundida. No filme de Hitchcock, embora não seja uma reprodução literal da vida do <em>serial killer</em> Ed Gein – esta foi apenas a inspiração inicial para o roteiro -, este aspecto é levado a um grau extremo: Norman Bates, o personagem principal, o assassino do chuveiro, tem a personalidade dividida, dissociada, vivendo ora como si mesmo, ora como sua própria mãe.</p>
<p>Segundo alguns, Ed Gein sonhava em ser mulher por causa do poder que enxergou em sua mãe.</p>
<p>É uma bela hipótese. Suas vítimas de homicídio confirmadas foram mulheres. E as duas não muito jovens. Os restos encontrados em sua casa, de corpos furtados em cemitérios, eram de mulheres, de mais idade (possível exceção para dois corpos). Destacam-se, entre estes, vaginas e seios.</p>
<p>Ed não era homossexual no sentido estrito porque, sendo esquizóide, não desejava relações íntimas com humanos; logo, não houve oportunidade mental para que se relacionasse sexualmente com homens. Além disso, é bastante possível que fazia sexo com os cadáveres, femininos (talvez não sexo no sentido tradicional, mas brincadeiras sexuais). Ou seja, fazendo uma hipótese bastante livre, um &#8220;se&#8221; completo, a &#8220;alma&#8221; de Ed Gein era lésbica: era mulher e queria relações sexuais com mulheres. Tanto que há relatos de que ele já havia pensado em amputar o pênis ou fazer uma cirurgia para mudar de sexo.</p>
<h3>Complexo de Édipo</h3>
<p>Nas suas fantasias, construiu um novo mundo. Fez &#8220;roupas-mulher&#8221;, vestia elas, dançava à luz da Lua com estes &#8220;acessórios-mulher&#8221; que costurou: uma peruca, um rosto (daí veio a inspiração para o personagem Leatherface ["face de couro"] do filme &#8220;O massacre da serra elétrica&#8221;), uma genitália feminina que colocava sobre a sua. Nestes momentos, &#8220;virava mulher&#8221;. Virava a própria mãe. Norman Bates aprendeu com Ed Gein&#8230;</p>
<p>*</p>
<p>Veja também:<br />
* outro <em>serial killer</em> que matou a mãe (e os avós): <a href="http://oserialkiller.com.br/ed-kemper/" rel="noindex,nofollow" target="_blank">Ed Kemper</a><br />
* histórias de vários outros <a href="http://oserialkiller.com.br/serial-killers/" rel="noindex,nofollow"><em>serial killers</em></a>.
</div>
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		<title>CHARLES MANSON – ANÁLISE PSICOLÓGICA</title>
		<link>http://oserialkiller.com.br/charles-manson-analise-psicologica/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2008 06:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[análises psicológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Charles Manson]]></category>
		<category><![CDATA[serial killers famosos]]></category>

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		<description><![CDATA[Se não conhece, leia antes a história do serial killer Charles Manson. Charles Manson é um serial killer? Charles Manson é um caso bastante curioso na galeria dos serial killers. De todos os assassinos em série que tiveram sua identidade descoberta, é, disparadamente, o que encontramos mais resultados em um site de pesquisas como o <a href='http://oserialkiller.com.br/charles-manson-analise-psicologica/'>[continuar lendo...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-144" title="Charles Manson, serial killer" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/09/charles-manson-2.jpg" alt="Charles Manson, serial killer" width="100" height="154" />Se não conhece, leia antes a história do <em><strong>serial killer</strong></em> <a href="http://oserialkiller.com.br/charles-manson/" rel="noindex,nofollow" target="_blank">Charles Manson</a>.</p>
<h3>Charles Manson é um <em>serial killer</em>?</h3>
<p><strong>Charles Manson</strong> é um caso bastante curioso na galeria dos <em>serial killers</em>. De todos os assassinos em série que tiveram sua identidade descoberta, é, disparadamente, o que encontramos mais resultados em um site de pesquisas como o Google. E, ao mesmo tempo, é o <em>serial killer</em> &#8220;que não matou ninguém&#8221;. Diretamente, é claro.</p>
<p>Foi condenado por vários assassinatos, mas não encostou em suas vítimas. Foi o mandante? Também não, no sentido clássico deste termo, em que alguém contrata um profissional para realizar o crime. Foi, digamos assim, o mentor, alguém que plantou a idéia na cabeça de seus seguidores e estes foram lá e fizeram o que ele queria.</p>
<p><span id="more-200"></span></p>
<p>Uma outra peculiaridade na história de Charles Manson é que os assassinatos (conhecidos) em que esteve envolvido não correspondem exatamente ao que costuma se chamar homicídio em série, o tipo de crime cometido pelo <em>serial killers</em>. Aproximam-se mais do chamado <em>spree homicide</em>, cuja definição é: dois ou mais homicídios, em uma única ocasião, mas em duas ou mais locações diferentes. Os crimes cometidos na casa de Tate e, menos de 24 horas depois, na casa dos LaBianca, talvez podem ser considerados parte de um mesmo evento: o pretendido desencadeamento do &#8220;Helter Skelter&#8221;, a guerra dos brancos contra os negros. Nos dias imediatamente seguintes a estes dois eventos a Família Manson não cometeu mais homicídios, pelo que se sabe. O assassinato do professor de música também não foi um crime típico de <em>serial killers</em>: havia um interesse econômico por trás dele (tomar posse dos bens da vítima).</p>
<p>Não importa: para todos os efeitos, Charles Manson é considerado por muitos um <em>serial killer</em>. E mais: um dos mais nefastos que já existiu. Porque, se o seu plano vingasse, praticamente metade da população da Terra (os brancos) deveria morrer!</p>
<h3>Psicopata</h3>
<p>Pela sua história, podemos concluir que Manson possui um transtorno de personalidade anti-social (TPAS) – isto é, é o que comumente se chama de “psicopata”. Desde antes dos 18 anos já se envolvia em muitas atividades criminais, além de um demonstrar comportamento violento (ao sodomizar colegas de detenção). O abandono materno não justifica todo este comportamento.</p>
<p>Sua vida, já adulto, foi uma seqüência de crimes (a maioria não muito violentos) e prisões. Os crimes realmente sangrentos começam por volta dos 35 anos.</p>
<p>Entretanto, estes não tem o padrão semelhante aos cometidos pela maioria dos <em>serial killers</em>. Como dito, não há o período de <em>cold-off</em> (resfriamento) entre eles. Não há o prazer sádico de matar com as próprias mãos, já referido por tantos outros assassinos em série. E, por fim, há uma ideologia por trás dos crimes de Manson, o &#8220;Helter Skelter&#8221;. Esta ideologia poderia ser sintoma de uma outra doença, chamada hoje de transtorno delirante persistente (antigamente, &#8220;paranóia).</p>
<h3>Paranóia</h3>
<p>O transtorno delirante persistente (TDP), como o próprio nome sugere, é caracterizado pela presença de um delírio (ou um conjunto de delírios inter-relacionados), que duram, no mínimo, meses (às vezes a vida toda), sem a presença de outros sintomas de esquizofrenia, como alucinações.</p>
<p>Para a Psiquiatria, esta atitude de extrair interpretações totalmente distorcidas de fatos reais, como &#8220;descobrir&#8221; que haveria uma guerra racial através de uma música dos Beatles, seria um delírio. De conteúdo místico e grandioso, já que Charles seria o &#8220;rei do mundo&#8221;, após a guerra.</p>
<p>O transtorno de personalidade anti-social, apesar de presente, não seria necessário para os crimes, caso Manson tivesse mesmo o transtorno delirante. E deveria ter, porque não há outros motivos típicos para os assassinatos: não eram para roubo; não havia a necessidade, para Charles, de cometê-los com as próprias mãos; o motivo (a guerra) foi revelado antes, aos que os praticaram.</p>
<h3>Manipulação?</h3>
<p>Mas por outro lado, talvez o próprio delírio não fosse mesmo de verdade, mas apenas mais um modo de manipular seus seguidores. Por quê? Porque, depois que foi pego, Charles nunca assumiu esta história de &#8220;Helter Skelter&#8221;. No transtorno delirante persistente pode haver cura espontânea, isto é, sem tratamento. Contudo, quando isto ocorre, o paciente deixa de acreditar no que achava ser verdadeiro, mas geralmente não esquece-se do acreditou nem nega que tivesse acreditado.</p>
<p>A única forma de pensarmos que realmente Charles acreditava no &#8220;Helter Skelter&#8221; é assumirmos que pode existir um transtorno delirante onde o acometido tenha um certo <em>insight</em> sobre o fato de estar delirando – isto é, ao mesmo tempo em que delirasse, teria consciência de que considerariam suas crenças como um delírio e, por isto, evitaria falar sobre elas. Assim, quando fosse necessário, ele disfarçaria bem a sua &#8220;loucura&#8221;. Conseguiria fazer isto porque não seria totalmente insano.</p>
<p>Porém, em uma carta para a avaliação de condicional, Manson deixou escapar: &#8220;Vocês condenaram a si mesmos, colocando o filho de Deus na prisão novamente.&#8221;&#8230;</p>
<h3>Charles Manson: conclusão</h3>
<p>Ou seja, a hipótese mais provável para o caso Charles Manson é de que se trata mesmo de um psicopata e, ao mesmo tempo, de um paranóico. Ao mesmo tempo, inteligente, sedutor, manipulador. </p>
<p>Nunca tratado. Perigoso, ainda, portanto.</p>
<p>*</p>
<p>Saiba mais:<br />
* conheça outros <a href="http://oserialkiller.com.br/serial-killers/" rel="noindex,nofollow">serial killers famosos</a>.
</div>
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		<title>CARL PANZRAM – ANÁLISE PSICOLÓGICA</title>
		<link>http://oserialkiller.com.br/carl-panzram-analise-psicologica/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2008 04:30:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Fernando César</dc:creator>
				<category><![CDATA[análises psicológicas]]></category>
		<category><![CDATA[Carl Panzram]]></category>
		<category><![CDATA[serial killers famosos]]></category>

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		<description><![CDATA[Você conhece a história do serial killer Carl Panzram? Se não, leia antes aqui: Carl Panzram. Carl Panzram: análise psicológica A história do serial killer Carl Panzram não tem como ser mais monótona. Mas como pode ser, a de um homem que matou friamente mais de 20 pessoas? A palavra &#8220;monótona&#8221; é empregada aqui em <a href='http://oserialkiller.com.br/carl-panzram-analise-psicologica/'>[continuar lendo...]</a>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-146" title="Carl Panzram, serial killer" src="http://oserialkiller.com.br/wp-content/uploads/2009/09/carl-panzram-21.jpg" alt="Carl Panzram, serial killer" width="100" height="154" />Você conhece a história do <em><strong>serial killer</strong></em> Carl Panzram? Se não, leia antes aqui: <a href="http://oserialkiller.com.br/carl-panzram/" rel="noindex,nofollow" target="_blank">Carl Panzram</a>.</p>
<h3>Carl Panzram: análise psicológica</h3>
<p>A história do <em>serial killer</em> <strong>Carl Panzram</strong> não tem como ser mais monótona. Mas como pode ser, a de um homem que matou friamente mais de 20 pessoas? A palavra &#8220;monótona&#8221; é empregada aqui em seu sentido original: &#8220;um tom apenas&#8221;. Desde sua infância, sua vida foi uma repetição de furtos, violência recebida e devolvida, assassinatos, prisões, fugas – e de recomeços do ciclo. Ao lermos seus dados biográficos, notamos que nada se fala sobre trabalhos, namoros, nada disso. Panzram parece ter nascido para o crime. Sua vida era isto, apenas. Em uma ocasião em que foi preso, quando faziam a sua ficha indagaram a sua profissão. Ele respondeu: &#8220;Ladrão!&#8221;. Às vezes Panzram era honesto&#8230;</p>
<p><span id="more-198"></span></p>
<p>Bastante honesto. Panzram escreveu uma autobiografia. Esta só foi publicada na íntegra várias décadas após a sua morte. Nos seus escritos, Panzram afirma: &#8220;Eu estava tão cheio de ódio que não havia lugar para sentimentos como amor, piedade, ou honra, ou decência.&#8221;.</p>
<p>O caso de Carl Panzram é um caso típico onde a psicologizacão tende a obscurecer um pouco os fatos brutos &#8211; isto é, a realidade. Criar teorias não é condenável – necessitamos delas para organizar nosso entendimento do mundo. O problema é que às vezes elas se afastam da verdade.</p>
<p>Dr. Menninger, psicólogo que avaliou Panzram, acreditava que a culpa por Panzram ter se tornado um frio assassino em série era dos abusos sofridos nos reformatórios e nas prisões pelas quais o assassino em série passou.</p>
<p>Os abusos podem ter transformado-o em um <em><strong>serial killer</strong></em>? Por si só, não!</p>
<p>Uma teoria como essa deve ser sempre argüida assim: todos que passaram pelo reformatório viraram <em>serial killers</em>? Não! Nem mesmo todos os que foram apanhados, que foram abusados, Então, no mínimo, havia uma predisposição para a violência em Panzram.</p>
<h3>Abusos explicam tudo?</h3>
<p>Muitos defendem a &#8220;teoria dos abusos&#8221; para o caso de Panzram. O psicólogo, o guarda com quem o <em>serial killer</em> estabeleceu uma relação amistosa (Henry Lesser) e o próprio Panzram. Aliás, dos dois primeiros pode-se dizer que foram, por certo, influenciados pelas palavras do próprio assassino. Eles aceitaram a teoria que Panzram lhes vendeu. Mas o assassino mesmo acreditava nisso? É possível.</p>
<p>A questão que não é muito levantada é: por que Panzram, tão novo ainda, ainda criança, foi parar naquele reformatório? Por que desde os oito anos Panzram entrou em uma vida de crimes? Por causa da criação recebida? Não! Seus irmãos se tornaram trabalhadores esforçados, ele diria. E todos receberam criação semelhante. </p>
<p>Mas Carl Panzram disse também que os irmãos batiam muito nele. Mas não sem que Panzram houvesse aprontado algo antes. &#8220;Eu tenho sido um animal desde que nasci. Eu era um ladrão e um mentiroso.&#8221;</p>
<p>O que falta a esta teoria do abuso é analisar uma gênese mais distante, e esta parece residir em uma predisposição biológica de Panzram. Na adolescência, ou mesmo na infância, Carl já tinha traços de um transtorno de personalidade anti-social (TPAS), o popular &#8220;psicopata&#8221;. Usando-se os critérios diagnósticos de hoje, não poderíamos fazer esse diagnóstico apenas por causa de sua pouca idade (o diagnóstico definitivo só pode ser feito para adultos), mas poderíamos fazer um de transtorno de conduta na infância, que comumente evolui para o transtorno de personalidade anti-social. Comumente, mas não sempre. Aí entram outros fatores. Aí entra a história do reformatório e dos abusos físicos e morais. Que podem ter piorado e solidificado esta tendência anti-social. Neste ponto, é difícil discordar. O que mais poderíamos esperar de uma criança (que já tinha tendências anti-sociais, frise-se isto) que é seguidamente espancada e violentada, que ao sair da instituição volta para uma vida &#8220;pobre&#8221;, em todos os sentidos desta palavra?</p>
<p>A justificativa que Panzram dá para seus assassinatos até desce bem, às vezes, como quando ele mata um guarda &#8220;responsável&#8221; pelo fato de ele ter ido parar na solitária (o que Carl não assume é a sua responsabilidade de ter infringido uma norma da prisão – normas severíssimas, por certo, mas novamente lembremos: nem todos iam parar na solitária, nem todos tinham esta grande incapacidade de adaptar-se a limites). Mas como entender este salto que ele faz em seu raciocínio: os guardas não prestam; logo ninguém no mundo presta?! Como entender o fato de matar inocentes, pessoas que não tinham absolutamente nada a ver com o sofrimento pelo qual passou?</p>
<p>Se Panzarm não tivesse sofrido tantos abusos logo cedo, pode ser que não tivesse se tornado um <em>serial killer</em>, ou nem mesmo &#8220;apenas&#8221; um anti-social não-assassino? Pode ser (acredito nisto). Mas assim como também pode ser que mais tarde a psicopatia e o predadorismo aparecessem, disparados por outra situação qualquer, e Panzram encontrasse outra justificativa para seus atos. Porque Panzram, como qualquer um de nós, quer entender o que se passa consigo.</p>
<p>O ódio do mundo, da humanidade, que ele passa a professar em seus últimos anos (e tudo o que dispomos é o que ele falou desde então, e devemos ter em mente que isto é ele falando sobre o passado – ou seja, nem tudo é memória pura, ocasionalmente é interpretação, distorção, exagero etc.), este ódio tão falado de tudo e de todos às vezes parece não se materializar tanto – foram 23 mortes, sim. Mas muitos outros <em>serial killers</em>, que nunca expressaram tanto ódio quanto Panzram, mataram mais pessoas em menos tempo. Peguemos <a href="http://oserialkiller.com.br/ted-bundy/" rel="noindex,nofollow" target="_blank">Ted Bundy</a>, por exemplo: cerca de 36 mortes em um período não maior que 5 anos.</p>
<p>Se o ódio de Panzram foi gerado por guardas, carcereiros etc., por que a grande maioria de seus crimes não foi contra estes, ainda mais considerando-se que passou boa parte de sua vida preso? Panzram agia às vezes impulsivamente, agressivamente – mas não nos esqueçamos que o seu impulso de sodomizar era muito maior que o de matar – bem maior foi o número de vítimas deste crime sexual do que os de homicídio. Nem todos os que violentou ele matou, mas quase todos os que matou, violentou antes. O homicídio era então apenas parte de um impulso maior – o da agressão sexual homossexual. Se odiava &#8220;a humanidade&#8221;, por que não estuprou e matou mulheres? Ou, insistimos nisto, por que não guardas, carcereiros, e sim outros presidiários?</p>
<p>Panzram encontrou, nos parece, esta justificativa &#8211; o reformatório, os maus-tratos recebidos etc. -, e a ela se agarrou. E com ele levou vários outros na mesma crença.</p>
<p>*</p>
<p>Outro ponto bastante curioso na história do psicopata Carl Panzram é a sua negativa em recorrer da condenação à pena de morte, ou a recusa em alegar insanidade. Suas negativas apontam para duas hipóteses.</p>
<p>A primeira é que, recorrendo, desmereceria tudo o que fez. Como se o fato de ser inocentado anulasse os seus atos. Ele não queria defender-se, queria que seus atos ficassem intocados, puros.</p>
<p>A segunda é um pouco mais especulativa. Panzram tinha tatuado &#8220;Justiça e Liberdade&#8221; em seu peito. No seu julgamento, afirma claramente (em uma cena de um filme que retrata sua vida, <a href="http://oserialkiller.com.br/killer-confissoes-de-um-assassino-filme/" target="_blank" rel="noindex,nofollow">&#8220;Killer &#8211; confissões de um assassino&#8221;</a>): &#8220;O que eu exijo é justiça!&#8221;.  A sua punição, então, seria a primeira vez em que Panzram veria a justiça ser feita pela própria Justiça. Os que o agrediram no reformatório e nas prisões deveriam ter sido punido. Mas não foram. Agora, ele toma o lugar deles e faz a punição acontecer. Simbolicamente, estaria punindo, então, os que o agrediram.</p>
<p>É interessante notarmos que, na verdade, este seu desejo de que a justiça seja feita vai surgir apenas no final, quando é levado a julgamento por homicídio. Antes, Panzram mudava de nomes, fugia das cadeias. Justiça não seria ficar preso, também, por crimes menores? Sim. Mas isto não era suficiente. Era uma justiça muito fraca, pequena. Para quem tantas vezes fugiu de cadeias, não é estranho, no final, não querer advogado, não negar o crime, não querer alegar insanidade mental, não apelar, não querer ajuda de entidades contra a pena de morte, e, pela primeira vez, não tentar fugir?</p>
<p>Quem foge quer a liberdade. Quem não quer viver, se mata. Por que só agora, condenado à morte, ele não tenta escapar (mesmo pelos meios legais)? Por que só agora ele diz que não quer viver? Por que ele mesmo não se matou, portanto? Porque isto não seria Justiça – contra os que odiava.</p>
<p>Um estranho caso em que, alguém, para vingar-se de uma brutalidade recebida, toma o lugar do bruto na hora da punição, já que este não compareceu para recebê-la. Algo como: &#8220;alguém tem que ser punido, mas já que não vieram, que seja eu mesmo &#8211; alguém tem que ser punido!&#8221;.</p>
<p>Como diz seu advogado ao final do julgamento, no filme: é um suicídio legalmente sancionado.</p>
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