
São pessoas que entram no nosso site procurando por notícias da “enfermeira assassina”. Dezenas fizeram buscas semelhantes nos últimos dias e pararam aqui. Procuravam, obviamente, notícias sobre Vanessa Pedroso Cordeiro.
O leigo não tem muita obrigação de saber nada. Até porque, se está procurando informação, é porque ainda não a tem.
O que não entendo é isto aqui:


(fonte: UOL)
Ou isto aqui:

(fonte: G1)
Vanessa não é enfermeira e nem assassina.
Técnica em enfermagem é uma coisa, enfermeira é outra. Fazem cursos diferentes. Geralmente a primeira é subordinada à segunda. A segunda não gosta, frequentemente, que se confunda as duas.
Vanessa também não matou ninguém. Ou, ao menos, ninguém pôde ainda provar isto. É acusada de tentar matar. E, a bem da verdade, esta própria acusação parece despropositada. É meio óbvio que, se quisesse mesmo matar, ela teria matado. A intenção do criminoso deve sido outra.
Se foi Vanessa a autora dos crimes, o que ela pode ser acusada é de ter sedado bebês, intoxicado recém-nascidos. Mas só podemos falar que foi ela caso ela volta a confessar o crime ou após o surgimento de alguma prova indiscutível (um vídeo, por exemplo). Nem mesmo se ela for condenada sem confissão ou sem prova cabal, poderíamos falar dela como a pessoa que “sedava bebês”.
Mesmo que tenhamos a convicção interna de que foi ela a autora.
Nos exemplos acima, a informação é dada corretamente no corpo das reportagens. Mas por que julgar e condenar, no título?!
Quem leu apenas os títulos (mais visíveis, mais impactantes) ficou com apenas uma informação: Vanessa sedou os bebês. Ainda não podemos dizer isto com todas as letras.
A imprensa “séria” deveria agir com mais seriedade, às vezes…
