MENTES PERIGOSAS – LIVRO
O livro “Mentes Perigosas” (editora Fontanar), da psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva, não é seu único trabalho literário destinado a levar ao público leigo conhecimentos sobre alguns transtornos psiquiátricos. Ana Beatriz já lançou também “Mentes inquietas”, “Mentes insaciáveis”, entre outros, livros que falam de problemas como o déficit de atenção ou os transtornos alimentares.
Em “Mentes perigosas” ela se debruça sobre o transtorno de personalidade anti-social (TPAS), o popular “psicopata”. Não é um livro para especialistas – embora psiquiatras e psicólogos com pouca experiência no trato com esta doença possam aprender mais sobre o assunto. O livro é voltado especialmente a informar o público em geral sobre como identificar o “psicopata comum” – isto é, não se trata aqui dos grandes criminosos ou de serial killers, como os que analisamos aqui no site.
A maioria dos psicopatas não chega a ser assassino, na verdade nem parecem ser pessoas do mal, pois são muito dissimulados.
O psicopata cotidiano está ao nosso lado, como indica o subtítulo do livro, e geralmente só percebemos os danos que causa (nos relacionamentos, nas empresas, em nossa conta bancária) quando já é tarde demais. Ana Beatriz torna o leitor mais “esperto” na difícil habilidade de identificarmos um psicopata.
O livro é um pouco repetitivo, para quem já é versado no assunto. Mas a insistência na descrição dos comportamentos do psicopata é compreensível: o aprendizado (do leitor) é proporcional à repetição do que é ensinado.
Algo interessante em sua análise é que, segundo sua observação, todos (todos!) os psicopatas que já observou apresentam um comportamento de “coitadinho”.
Um ponto positivo do livro, já que parece ser voltado ao público comum, é a quase ausência de terminologia técnica, de estatísticas etc. Aliás, é surpreendente a contenção da autora, que conseguiu deixar os critérios diagnósticos psiquiátricos para o TPAS apenas em um adendo ao final do livro.
O livro contém alguns casos pouco conhecidos e alguns criminosos famosos (Susane von Richthofen, Guilherme de Pádua, Champinha etc.), contados resumidamente.
Também destaca o modo como as pessoas devem lidar com um psicopata, após perceberem estar convivendo com um. Ana Betriz frisa que o transtorno não tem cura, e que “é mais sensato falarmos em ajuda e tratamento para as vítimas dos psicopatas”.
Apenas um pequeno deslize deve ser apontado, e justamente em uma rara ocasião que a autora mexe com estatísticas. Segundo ela (e de acordo com várias pesquisas), o TPAS atinge 3% dos homens e 1% das mulheres. Ana Beatriz conclui: “A boa notícia é que quase 96% das pessoas são consideradas possuidoras de base razoável de decência e responsabilidade.” Na verdade, não devemos somar a incidência de homens e mulheres para chegar ao total de atingidos na população, e sim fazer a média. Portanto, o TPAS atinge 2% da população, e os 98% restantes não possuem o transtorno.
Errinho facilmente corrigível em edição futura e que não desmerece o trabalho de Ana Beatriz. É um livro bem escrito e a edição bem feita.
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O livro está em promoção na Saraiva, por R$ 18,50 (comprar).
Para os interessados em saber mais sobre o comportamento psicopático no ambiente corporativo, de trabalho, recomendamos nosso livro “A mente de Maquiavel”. Para os interessados em entender os crimes violentos, inclusives de serial killers, recomendamos nosso “Psiquiatria Forense”, ambos parceria com o psiquiatra Marcelo Caixeta, que, por sinal, fez uma crítica ao livro de Ana Beatriz que, a bem da verdade, não é bem apenas a ela, mas a todo um entendimento que a Psiquiatria faz do TPAS (ler).
Na sua polêmica opinião, “a maldade não é a característica distintiva da doença, não é uma característica diagnóstica, justamente porque o conceito de ‘maldade’ é um conceito da filosofia moral, portanto, mais antigo do que a própria Psiquiatria, e não pode ser assimilado pela Medicina, sem sérios riscos.” Para elucidar seu pensamento, Caixeta fala de casos que pessoas que poderiam ser diagnosticadas como “psicopatas” mas que, por outro lado, são capazes de vários comportamentos altruístas e até de sentimentos afetuosos.
Controverso o assunto, quando entramos nas suas profundezas…





Se a psicopatia não tem cura, isso significa dizer que o psicopata não irá procurar tratamento de sua psicopatia? Se a psicopatia não tem cura, significa dizer que o psicopata nunca se arrependerá dos atos perversos que praticar e assim estaria inevitavelmente sua alma condenada ao inferno?
A psicopatia não tem cura, logo seria uma doença, e o conceito de doença que temos é que ela não é causada pela própria pessoa, mas por fatores externos. O psicopata pode ser culpado de possuir essa doença, o TPAS?
E se diagnosticamos um adolescente com tendências psicopatas, deveríamos interná-lo antes num manicômio para que o mesmo seja vigiado e não prejudique a ninguém?
Esses conceitos sobre o TPAS estão sendo estudados para que haja um veredicto científico de que não há cura para o transtorno?
Obrigado
Um ser procurando um pouco mais de seriedade na psicologia e psiquiatria, e não remédinhos ou conselhos tolos.
Da mesma autora, Ana Beatriz Barbosa Silva, há também os livros “Mentes Inqietas” e “Mentes Insaciáveis”…