“Depois de Freud, sempre culpamos os pais por tudo de ruim que as crianças fazem… Mas o culpado é Dahmer. Não seu pai, não sua família, não a polícia.” (Dr. James Fox, professor de Justiça Criminal na Universidade de Northeastern e especialista em serial killers.)
“Hoje, a genética está ganhando terreno sobre o behaviorismo na capacidade de explicar porque as pessoas tornam-se criminosos. No caso de Jeffrey Dahmer, a genética pode ser a única explicação.” (Marilyn Bardsley, uma das fundadoras do site Crime Library.)
O pai do serial killer Jeffrey Dahmer, o senhor Lionel Dahmer, sentiu este efeito não na pele, mas na alma. Logo após a descoberta do crime, a mídia, tentando psicologizar Jeffrey Dahmer, sugeriu que a culpa de tudo poderia ser dos pais. Da criação. Da ausência de afeto. Da separação. Da madrasta. Etc.
Ora, a vida de Jeffrey Dahmer não diferia em nada da vida de milhares de outras crianças e jovens americanos daquela época. E quantas destas crianças tornaram-se serial killers?
Olhando em retrospectiva, Jeffrey era uma criança estranha: gostava de animais mortos, talvez os matava, era introvertido etc. Mas estas análises são perigosas. Será que, se conhecêssemos Jeffrey ainda criança, o acharíamos tão estranho? Isto é, Jeffrey não passava o dia todo mexendo com animais mortos. Por certo, boa parte do tempo fazia coisas que crianças normais também fazem: ia à escola, fazia tarefas, assistia televisão, saía com seus pais etc.
Na adolescência continuou a ter comportamentos inadequados, como o abuso de álcool. Mas nada ainda que se pudesse dizer: “este rapaz será um futuro serial killer!”.
Lionel não era culpado pelos crimes de Jeffrey. Não poderia prevê-los. Não poderia imaginá-los. Provavelmente não poderia evitá-los. Ao contrário do que se poderia afirmar sobre o pai ser conivente e relapso com os comportamentos desviantes de Jeffrey, Lionel até insistiu na necessidade de um tratamento psicológico para o filho quando este foi preso pelo abuso de um menor. Mas a Justiça também não foi capaz de ver naquele réu um potencial serial killer.
Lionel também tentou fazer com que Jeffrey “entrasse no eixo” em outros aspectos de sua vida: parar de beber, começar a trabalhar etc.
Quando se olha para trás, é fácil culpar a todos. Mas, então, a Justiça deveria instituir tratamentos agressivos a todos os culpados de crimes sexuais como se fossem pré-serial-killers? Seria inviável – e um desperdício de verbas, na grande maioria dos casos, já que apenas uma ínfima fração deste tipo de criminosos virará um assassino em série.
Analisamos, portanto, o caso de Jeffrey Dahmer da seguinte maneira. Uma criança tímida com alguns comportamentos bizarros, necrófilos. Vivendo em um lar relativamente normal. (Há uma indicação de que tenha sido violentado na infância, mas não foi confirmada.)
Um adolescente ainda introvertido. Abusando de álcool. E ainda gostando de animais mortos. Já adulto: homossexual, sem firmeza para o trabalho. Ainda introvertido (personalidade esquizóide?) e abusando da bebida. O que há de realmente doentio até aí? Nada! Não que sejam comportamentos desejáveis pela sociedade. Mas também longe de representarem uma grande doença.
A doença começa a aparecer mesmo com o abuso de um menor. Isto sim é um ato altamente desviante, reprovável, legalmente condenável etc. Foi a primeira vez que tornou-se visível para a sociedade que Jeffrey tinha impulsos sexuais agressivos e não conseguia controlá-los. Visíveis para a sociedade, porque para Dahmer já estavam aflorados há muitos anos: Jeffrey Dahmer matou pela primeira vez aos 18 anos.
Um filme sobre Dahmer (“O perfil de um assassino”) levanta uma hipótese interessante: seu pai era químico, e vivia fazendo experiências em laboratório, e por isto Jeffrey gostava de fazer experiências com animais – e com suas vítimas (injetando ácidos em seus cérebros, por exemplo).O velho Complexo de Édipo, o filho querendo imitar o pai etc. Interessante teoria, mas que explica as experiências de Dahmer, mas não os homicídios.
Ficamos fortemente, no caso de Dahmer, com a hipótese genética para o seu killerismo. Ficamos também com um provável diagnóstico de transtorno personalidade esquizóide. Pessoas com este transtorno têm um grau de introversão muito alto. Não é exatamente “timidez” – é um desinteresse por contatos afetivos. Mas Jeffrey Dahmer não gostava de homens? Sim, mas não como seres humanos, e sim como objetos – literalmente.
Um esquizóide que no início da vida adulta vê seu killerismo aflorar. Este foi Jeffrey Dahmer…

