Nos dias seguintes ela estava de folga e nada de anormal ocorreu no hospital.
Na segunda-feira, 09/11, Vanessa volta ao trabalho e, coincidência ou não, surgem três novos casos de bebês com dificuldades respiratórias. A direção do hospital, preocupada, começa a investigar o problema.
Na quarta-feira, 11/11, mais cinco recém-nascidos, sadios, prestes a ir para casa, tiveram problemas respiratórios súbitos e intensos, precisando ser levados com urgência para a UTI Neonatal. Neste dia, o hospital compôs uma grande comissão multiprofissional para investigar o que ocorria. As suspeitas iniciais eram de infecção hospitalar.
Foram realizadas análises da água e do ar do hospital, todas com resultados negativos. Amostras de sangue e urina dos bebês foram enviadas para exames toxicológicos. Os resultados ficaram prontos na (macabra) “sexta-feira 13″.
O exame indicava presença de substâncias sedativas na corrente sanguínea dos bebês. Nesse mesmo dia, mais dois recém-nascidos apresentaram os mesmos sintomas, no meio da tarde. Coincidência ou não, Vanessa tinha entrado para trabalhar às 14h.
A polícia foi chamada. O hospital já suspeitava de Vanessa, pois todos os casos ocorreram nos horários de trabalho dela, que, coincidência ou não, era sempre a primeira a perceber que os bebês estavam passando mal.
Com a chegada dos policiais, no início da noite, Vanessa parecia preocupada em se livrar de sua pochete. Vanessa foi detida. Dentro da pochete, celular e outros objetos, além de uma seringa com líquido incolor, semelhante à morfina.
O delegado, durante o depoimento de Vanessa, mostrou a ela esta seringa e ela começou a chorar.
Vanessa disse estar deprimida por causa da separação dos pais e afirmou: “Eu não queria que os bebês sofressem.” (entre outras justificativas).
Juliano Marques, 27 anos, é pai pela primeira vez, de uma menina de seis dias, e afirmou: “É surreal me deparar com o caso de uma psicopata atuando aqui em Canoas. Esse tipo de coisa só tinha visto em filme. O bebê foi para a UTI Neonatal na segunda-feira, quando se suspeitava que estava com infecção.”. A menina passa bem.
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Lendo a história assim, parece evidente a qualquer um que Vanessa Pedroso Cordeiro é a culpada, não? Mas a Justiça não funciona assim. Vanessa estava presente sempre que os bebês passavam mal? Sim. Mas isto é apenas evidência circunstancial. Outras pessoas também estavam no hospital naqueles mesmos horários.
Acharam uma pochete com morfina? E daí? Ela pode alegar ser viciada na substância, ou que iria experimentar, ou qualquer outra coisa…
Ela confessou o crime? Informalmente, depois negou. Pode alegar que confessou sob pressão.
Não estou dizendo que Vanessa é inocente. Longe disto. Apenas lembrando que, para a condenação, não basta uma única evidência. O trabalho tem que ser profundo, coletando o máximo de provas possíveis, de modo que o criminoso já não tenha mais como negar o crime.
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Saiba mais:
- resumo do caso da técnica de enfermagem acusada de tentar matar 11 bebês
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Fontes: Zero Hora e Rádio Guaíba
