GARY RIDGWAY
Crimes antigos que só foram solucionados por técnicas modernas de investigação… É o roteiro das modernas séries policiais, que às vezes parecem mirabolantes demais. Mas é o que realmente aconteceu no caso do chamado “Green River Killer” (“Assassino do Rio Verde”). Ele recebeu este apelido por depositar muitos dos cadáveres de suas vítimas no rio, do Estado de Washington, que tem o simples nome de “Green”.
Primeiros corpos encontrados
Em 1982, um homem em um bote no rio viu algo que se parecia com um rosto, na água. Achou tratar-se se um manequim e tentou movê-lo com o remo. O homem acabou caindo na água. E então viu que o “manequim”, na verdade, era um corpo humano, de uma mulher negra. Perto deste corpo, encontrou mais um, semelhante. Assustado, chamou a polícia, que ainda achou mais um.
As três haviam sido estranguladas. A última vítima tinha desaparecido não haviam 24 horas. A primeira, há duas semanas, e já devia estar morta há cerca de sete dias. A segunda, há menos tempo.
Dentro da vagina delas, pequenas pedras.
Dois corpos de mulheres estranguladas já haviam sido encontrados no rio há algum tempo, em datas separadas. Começava a surgir um grande quebra-cabeças. (Meses antes, o corpo de uma mulher havia sido achado em um lote, distante do rio. A princípio, não se ligou este crime aos assassinatos do Green River, mas depois mudou-se este pensamento.) Uma força-tarefa enorme foi montada: não bastava descobrir o assassino – era necessário pará-lo. Os especialistas do FBI, John Douglas e Robert Keppel, “doutorados” no caso do serial killer Ted Bundy, foram chamados.
Descobriu-se, inicialmente, que algumas das vítimas conheciam umas às outras, e estavam envolvidas em prostituição. Muita informação chegou aos investigadores, que se acharam perdidos, pois eram dados conflitantes. As tentativas de se obter informações nos pontos de prostituição foram difíceis, pois as moças eram relutantes em conversar com a polícia. Mas duas contaram histórias semelhantes, de que um homem, em uma camionete azul com branca, havia as ameaçado com um revólver e as estuprado, em ocasiões distintas.
Suspeitos
Este homem foi encontrado. Mas ele não correspondia, afinal, ao padrão, pois deixou as vítimas irem embora. Além disso, tinha bons álibis para a data dos assassinatos. Por fim, enquanto ele era investigado desapareceu uma mulher grávida de 8 meses. Ela também freqüentava zonas de prostituição.
Mais duas mulheres haviam sumido pouco antes dela.
As suspeitas recaíram sobre uma das várias pessoas que se ofereceram para ajudar a polícia, um taxista. Ele preenchia o perfil do criminoso feito pelo FBI – por exemplo, o fato de poder deslocar-se com facilidade, de conhecer bem a cidade etc., além do fato de conhecer muitas das vítimas. Sem evidências maiores, a polícia não pôde prendê-lo. Mas ele continuou a ser investigado.
Em setembro, mais um corpo encontrado. Até abril do ano seguinte, nada menos que 14 mulheres desapareceram. A maioria, prostitutas, de idades indo de 15 a 23 anos. Mas também caronistas. O namorado da última vítima, Marie Malvar, também prostituta, a viu entrar em uma camionete preta. Parecia que ela e o motorista discutiram, e o namorado tentou seguir o veículo, mas o perdeu de vista em um sinal. Como ela não retornou, avisou a polícia.
Dias depois, ele viu a mesma camionete, a seguiu novamente e descobriu o endereço da casa do dono. A polícia foi avisada. Este homem era Gary Ridgway.
Detector de mentiras
Abordado pelos agentes, Ridgway negou mesmo que tivesse visto Malvar qualquer vez na vida. A polícia se deu por satisfeita. Tempos depois, Gary Ridgway passou pelo polígrafo e não foram detectadas mentiras.
Havia um outro desaparecimento ligado a uma camionete semelhante, mas os dados nunca foram plenamente cruzados.
Suspeitos demais, desaparecimentos demais ainda acontecendo…
Os agentes do FBI foram solicitados a dar um maior apoio à investigação.
Uma vítima foi encontrada com uma assinatura um pouco diferente. Um peixe no pescoço, outro em um seio, uma garrafa na vagina e um pedaço de carne em uma mão. Os meses seguintes viram continuar a rotina de desaparecimentos de prostitutas e corpos encontrados estrangulados. Mas o assassino mudara o local de desova dos corpos. Usava, agora, depósito ilegais de lixo ou locais semelhantes, e deixava as vítimas cobertas com arbustos e folhas secas.
No começo de 1984, todo o trabalho de investigação foi reformulado. No meio do ano, os crimes pareceram diminuir. Em agosto, dois criminosos presos confessaram os crimes. Bingo!
Não, não… Mais uma vez o “Assassino do Green River” não havia sido pego: eles estavam mentindo.
Ajuda de um serial killer
O serial killer Ted Bundy então se ofereceu para ajudar o agente Keppel. Ele aceitou. (E depois escreveu “The riverman – Ted Bundy and I hunt for the Green River Killer” – “O homem do rio – Ted Bundy e eu caçando o Assassino do Rio Verde”.) Segundo o agente, sua ajuda foi muito importante, oferecendo uma visão “de dentro” da mente de um assassino em série.
No fim do ano, a contagem de mortes atribuídas ao homicida era 31, além de 14 desaparecidas.
Em 85, corpos com o mesmo padrão começaram a ser encontrados em outro estado.
O agente Douglas, re-examinando as evidências, achou que existiam dois assassinos, especialmente pelo modo como os corpos eram dispostos: um deixava mais em áreas expostas, outro preocupava-se mais com a ocultação.
Um corpo foi encontrado. Mais um. Desta vez, apenas o corpo, sem a cabeça. A cabeça havia sido encontrada há muito tempo: dois anos antes.
A pressão da imprensa e dos cidadãos sobre a força-tarefa era muito grande. Afinal, eram três anos de crimes, e nada do único resultado esperado: a captura do assassino. A força-tarefa virou motivo de piadas.
Em 1987, um “novo” suspeito surgiu. Muitas evidências o ligavam aos crimes. Era, novamente, Gary Ridgway. Mas, novamente, faltava uma prova e ele foi mais uma vez liberado.
Corpos ainda eram encontrados, mas de crimes ocorridos há muito tempo. Recentemente, não haviam mais desaparecimentos.
Em 1988, muitas mortes de prostitutas, mais de 20, começaram a ocorrer na Califórnia, na cidade de San Diego. Suspeitou-se que o homicida do Green River pudesse ter se mudado para lá.
Surge um novo suspeito, um ex-prisioneiro, agora estudante de Farmácia. Em sua casa, armas, cartões de crédito e carteiras de motoristas falsas. Mas falta uma prova, “aquela” prova… Pelo contrário, na investigação acharam foi álibis para ele.
Em 91, a “força-tarefa” já era de um homem apenas, pois os crimes haviam rareado. Mas a contagem já batia em quase 5 dezenas de mulheres assassinadas. Cerca de 15 milhões de dólares foram gastos na investigação. E nada…
O assassino parecia ter desaparecido. O caso caiu no limbo.
Novas tecnologias na procura do serial killer
Passam-se dez anos. Um novo xerife local, inconformado, resolve reabrir o caso. Quem sabe, com a tecnologia mais moderna?…
Recolheu-se o sêmen encontrado no corpo de três vítimas daquele início dos anos 80. E o de alguns suspeitos, recolhido também anos antes. Entre estes, Gary Ridgway.
Em setembro de 2001, o laboratório confirma: o sêmen nas vítimas era o mesmo de Ridgway. Em novembro, ele foi pego. Estava trabalhando em uma companhia de informática. Naquele ano, havia tido um outro problema com prostitutas, um tempo antes da captura final.
Por que Gary Ridgway foi pego pelos exames agora, e não antes? Na época dos crimes, o sêmen indicava apenas o tipo sangüíneo do indivíduo. Ou seja, era muito pouco específico. Servia apenas para descartar suspeitos, mas não para apontar o culpado. Atualmente, o exame indicava DNA, que, como se sabe, é diferente para cada pessoa.
Biografia de Gary Ridgway
Ridgway nasceu no estado de Utah. Tinha um irmão mais velho e uma irmã mais nova.
Uma família aparentemente quase normal. A mãe era dominadora e reclamava muito do comportamento do garoto Ridgway. Mas ele era bem mais apegado a ela que ao pai, e era obediente. Porém, não tinha boas notas na escola.
Trabalhou por cerca de 30 anos em uma firma de pintura de camionetes. Era meticuloso.
Seus parentes e conhecidos, em depoimentos, falaram que era Gary era amistoso, embora um pouco “estranho”. Capaz de conversar sobre qualquer assunto por um grande período de tempo, quase não falava de si. Às vezes fazia brincadeiras sobre como capturar andarilhos.
Gostava de caçar e de pescar. Serviu a Marinha por dois anos. Em 1970, casou a primeira vez. Tentou entrar para a Polícia, sem sucesso.
Teve um filho, da segunda esposa, em 1975.
Suas ex-mulheres e outras ex-namoradas falaram que seu apetite sexual era insaciável, querendo transar várias vezes por dia. Às vezes, queria sexo em áreas onde havia risco de serem vistos – inclusive em locais onde corpos foram depositados.
Seu casamento à época em que foi pego era estável, já durava mais de uma década. Começaram a se encontrar em 1985 e casaram-se 3 anos depois. Quando ele foi pego, em seu primeiro depoimento ela disse não acreditar: “Ele sempre foi tão gentil… e carinhoso…” Ela só foi acreditar que ele era mesmo o assassino 2 anos após sua captura, quando ele confessou todos os crimes. (Eles se divorciaram, mas ele continuou a escrever a ela, da prisão – cartas afetuosas. Em uma, pede a ela que sempre que escutar a música tema do filme “Titanic”, lembre-se dele, que era muito grato a tudo o que ela fez por ele.)
Gary tinha uma relação de amor e ódio com prostitutas. O ódio talvez viesse de seu fanatismo religioso (ou vice-versa). A ex-mulher afirmou que às vezes ele chorava com sermões ou lendo a Bíblia. Inclusive, ia de porta em porta pregar para a Igreja Pentecostal. Sobre as prostitutas, disse que causavam nele “o mesmo que a droga causa no viciado”.
Não há tantos dados sobre sua vida porque a maioria de sua família se trancou a repórteres.
A confissão
Gary Ridgway negou todas as acusações, no início. Mesmo tendo sido interrogado por mais de 100 horas!
Mas, como último recurso para fugir da condenação à pena de morte, ele negociou a confissão. Em novembro de 2003 ele finalmente confessou, por escrito, nada menos que 48 assassinatos! Tornou-se, assim, oficialmente o serial killer mais prolífico dos EUA (bateu Gerald Eugene Stano, que tinha 41 mortes em seu currículo.)
Essa negociação irritou muitos familiares de vítimas, assim como boa parte dos cidadãos. A pergunta no ar era: se um homem que matou 48 mulheres escaparia da pena de morte, quem não?!
Contudo, havia a possibilidade de que fosse condenado à morte em outro estado. Assim, ele disse que matou todas no mesmo estado.
Listou os motivos previsíveis para ter escolhido prostitutas: porque eram vítimas fáceis e porque as “odiava”. E apontou um motivo curioso: porque queria ter sexo com elas sem ter que pagar…
Muitos suspeitam que o número de vítimas possa ser bem maior, apoiados na pré-suposição de que “um serial killer nunca pára de agir”.
A lista mais atualizada de vítimas mostra que o primeiro homicídio conhecido aconteceu em janeiro de 82. O segundo, em julho. Então, neste mês, ele começa a matar com frequência. No auge do seu killerismo, chegou a matar duas no mesmo dia. Em 84, os assassinatos diminuem até cessar. Ocorre um em 86 e um em 87. Então, mais um em 1990 e mais outro apenas 8 anos depois.
Há uma possível sobrevivente dele, que ele pode ter largado achando ter matado.
Gary Ridgway diz ser difícil lembrar-se de todas as vítimas. De muitas, não soube nem o nome. De outras, não se lembra nem do rosto…
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Veja mais:
* história de Gary Ridgway em vídeo
* programa “O Índice da Maldade” sobre Gary Ridgway














Este é o famoso ‘Serial Killer Bonzinho’, pois matava apenas prostitutas, mulheres que sujam a nossa sociedade.
Como diria Peter Sutcliffe: “As mulheres que matei eram prostitutas bastardas nojentas que estavam sujando as ruas. Eu só estava limpando um pouco o lugar”
Será que se as vítimas não fossem prostitutas haveria uma negociação de confissão?
Vou deixar minha opinião, baseada no que li. Qdo Gary disse na entrevista que matava as prostitutas para não ter que pagá-las, é relevante, porém não justifica a sua psicopatia, que é a causa maior.
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Discordando do Gary, acho que ele não pode ser comparado aos que alegam limpar as ruas da prostituição, ou roubos. A psicologia é diferente, ele alega que matava porque queria manter relação sem pagar, e não que ele as acha sujas, ou que faz aquilo limpando a sociedade.
Prostitutas ou não eram seres humanos, e o q realmente suja nossa sociedade é a hipocresia de religiões e politicos.