O Serial Killer

Tenha medo!


psicologia de Charles Manson

Charles Manson é um caso bastante curioso na galeria dos serial killers. De todos os assassinos em série que tiveram sua identidade descoberta, é, disparadamente, o que encontramos mais resultados em um site de pesquisas como o Google. E, ao mesmo tempo, é o serial killer “que não matou ninguém”. Diretamente, é claro.

Foi condenado por vários assassinatos, mas “não encostou” em suas vítimas. Foi o “mandante”? Também não, no sentido clássico deste termo, em que alguém contrata um profissional para realizar o crime. Foi, digamos assim, o “mentor”, alguém que plantou a idéia na cabeça de seus seguidores e estes foram lá e fizeram o que ele queria.

Uma outra peculiaridade é que os assassinatos conhecidos em que esteve envolvido, em sua grande maioria, não correspondem exatamente ao que costuma se chamar homicídio em série, o tipo de crime cometido pelo serial killers. Aproxima-se mais do chamado “spree homicide”, cuja definição é: dois um mais homicídios, em uma única ocasião, mas em duas ou mais locações diferentes. Os crimes cometidos na casa de Tate e, menos de 24 horas depois, na casa dos LaBianca, talvez possam ser considerados parte de um mesmo evento: o pretendido desencadeamento do Helter-skelter. Tanto que nos dias imediatamente seguintes a Família não cometeu mais homicídios, pelo que se sabe. O assassinato do professor de música também não foi um crime típico de serial killers: havia um interesse econômico por trás dele (tomar posse dos bens da vítima).

Não importa: para todos os efeitos, Charles Manson é considerado por muitos um serial killer. E mais: um dos mais nefastos que já existiu. Porque, se o seu plano vingasse, praticamente metade da população da Terra (os brancos) deveria morrer!

Pela sua história, podemos concluir que Manson possui um transtorno de personalidade anti-social (TPAS) – isto é, é o que comumente se chama de “psicopata”. Desde antes dos 18 anos já se envolvia em muitas atividades criminais, além de um demonstrar um princípio de comportamento violento (ao sodomizar colegas de detenção). O abandono materno não justifica todo este comportamento.

Sua vida, já adulto, foi uma seqüência de crimes (a maioria não muito violentos) e prisões. Os crimes realmente sangrentos começam por volta dos 35 anos.

Entretanto, estes não tem o padrão semelhante aos cometidos pela maioria dos serial killers. Como dito, não há o período de “cold-off” (resfriamento) entre eles. Não há o prazer sádico de matar com as próprias mãos, já referido por tantos outros assassinos em série. E, por fim, há uma ideologia por trás dos crimes de Manson, o “Helter-skelter”. Esta ideologia poderia ser sintoma de uma outra doença, chamada hoje de transtorno delirante persistente (antigamente, “paranóia”).

O transtorno delirante persistente (TDP), como o próprio nome sugere, é caracterizado pela presença de um delírio (ou um conjunto de delírios inter-relacionados), que duram, no mínimo, meses (às vezes a vida toda), sem a presença de outros sintomas de esquizofrenia, como alucinações.

Para a Psiquiatria, esta atitude de extrair interpretações totalmente distorcidas de fatos reais, como “descobrir” que haveria uma guerra racial através de uma música dos Beatles (música que não tem nada a ver com o assunto), seria um delírio. De conteúdo místico e grandioso, já que Charles seria o “rei”, após a guerra.

O transtorno de personalidade anti-social, apesar de presente, não seria necessário para os crimes, caso Manson tivesse mesmo o transtorno delirante. E poderia ter, porque não há outros motivos típicos para os assassinatos: não eram para roubo; não havia a necessidade, para Charles, de cometê-los com as próprias mãos; o motivo (a guerra) foi revelado antes, aos que os praticaram.

Mas por outro lado, talvez o próprio delírio não fosse mesmo de verdade, mas apenas mais um modo de manipular seus seguidores. Por quê? Porque, depois que foi pego, Charles nunca assumiu esta história de “Helter-skelter”. No transtorno delirante persistente pode haver cura espontânea, isto é, sem tratamento. Contudo, quando isto ocorre, o paciente deixa de acreditar no que achava ser verdadeiro, mas geralmente não esquece-se do acreditou nem nega que tivesse acreditado.

A única forma de pensarmos que realmente Charles acreditava no “Helter-skelter” é assumirmos que pode existir um transtorno delirante onde o acometido tenha um insight sobre o fato de estar delirando – isto é, ele saber que considerarão suas crenças como um delírio e, por isto, evitar falar sobre elas. Ele disfarçaria bem a sua “loucura”. Conseguiria fazer isto porque não seria totalmente insano.

Porém, em uma carta para a avaliação de condicional, Manson deixou escapar: “Vocês condenaram a si mesmos, colocando o filho de Deus na prisão novamente.”…