O Serial Killer

Tenha medo!


Carl Panzram era filho de um imigrante e tinha 6 irmãos. Quando tinha 7 anos, seu pai abandonou sua mãe. No ano seguinte, Panzram entrou na vida criminal: aos 8 anos, já cometia pequenos delitos.

Aos 11 anos, Carl foi enviado para um reformatório, onde passou dois anos, na companhia de cerca de outros 300 jovens. Lá, apanhou e foi sodomizado várias vezes, inclusive por líderes religiosos. “Então eu comecei a pensar que eu deveria ter a minha vingança tão logo e tão frequentemente eu conseguisse machucar qualquer um”, disse ele, tempos depois. “Fui ensinado pelos Cristãos a ser um hipócrita, e aprendi mais sobre roubar, mentir, odiar, queimar e matar. (…) E que um reto pode servir para outros propósitos.”

Ao sair da instituição, com cerca de 14 anos, deixou um dispositivo armado para incendiar o prédio.

Já na rua, tinha comportamento piromaníaco (incendiário) e fantasiava promover homicídios em massa. Passou, aos poucos, a não gostar da mãe.

Na escola, um professor o agredia. Um dia, isso ainda aos 14 anos, Carl levou uma arma e queria matá-lo, mas, numa briga com ele, acabou perdendo a arma. Poucos dias depois, Panzram pegou um trem e “caiu no mundo”.

Roubava, mendigava, dormia em qualquer lugar. Em um episódio, foi violentado por quatro homens. Após outro crime, foi novamente para um reformatório. Tinha fala de criminoso nato e um policial implicava com ele. Carl resolveu matá-lo. Cometeu o homicído com um pedaço de madeira, atingindo sua cabeça, pelas costas. Passou a ser ainda mais vigiado na instituição e resolveu fugir.

Com um colega, fugiram, adquiriram armas e “roubavam tudo o que podiam”, inclusive igrejas, as quais Carl queimava depois – um de seus crimes favoritos. “Eu amo tanto Jesus que quero crucificá-lo novamente.” Logo se separaram e Panzram começou a usar outros nomes.

Em 1907, com 16 anos, mentiu sua idade e entrou no Exército. Logo no primeiro dia, recebeu uma punição – a primeira de muitas, lá dentro. Pego roubando, foi condenado a três anos de serviços forçados em uma penitenciária federal.

As regras na penitenciária eram rígidas e Carl vivia sendo punido. Tinha que carregar uma bola de ferro presa ao pé, mesmo quando trabalhava 10 horas por dia, 7 dias por semana, quebrando pedras. Um dia, queimou uma parte da prisão, mas não foi descoberto. Saiu em 1910. Foi preso mais algumas vezes, em alguns outros locais, mas fugia. E mantinha o seu comportamento incendiário.
Sobre suas vítimas, Panzram disse que não era seletivo, “importava apenas que fossem seres humanos”. Estuprou até mesmo um policial que tentou extorqui-lo.

Nunca desenvolveu um interesse maior por mulheres. Nas prisões, por ter um porte avantajado e por suas características psíquicas dominadoras e agressivas, sodomizava os colegas.

Em uma destas detenções, assim preencheu na sua ficha de admissão a sua profissão: “ladrão”. Apesar de punições cada vez maiores, seu comportamento não mudava.

Uma ocasião, roubou a casa de William H. Taft, ex-presidente dos EUA. Arrecadou muito com o que vendeu, e comprou um iate. Entretanto, o revólver calibre 45 que achou na casa, este ele não vendeu, passou a usá-lo.

E, como não poderia deixar de ser, invadiu alguns iates e roubou o que lá encontrou.

Teve também a idéia de atrair marinheiros, oferecendo trabalho. Então, os violentava, matava e jogava no mar. Ladrão, estuprador, assassino, serial killer – esta era a vida de Carl Panzram.

Em 1921, foi parar em Angola! Em 1922, com 31 anos, estuprou e matou violentamente um garoto de 12 anos – esmagou sua cabeça com uma pedra. “Eu não me arrependo. Minha consciência não me incomoda. Eu durmo tranquilamente e tenho sonhos doces.”

Carl Panzram dizia odiar a humanidade. Em uma ocasião matou seis pessoas de uma só vez, sem motivo, e jogou os corpos aos crocodilos. Teve que fugir porque muitas pessoas tinham visto ele com as vítimas.

Foi para Portugal, mas lá já era procurado. Voltou para os EUA. Continuou a roubar, matar, fugir etc. Roubou outra embarcação. De um comissário da polícia. Repintou e mudou o nome do barco. Usando a arma que lá achou, matou mais uma pessoa – além de ter sodomizado outra, que o denunciou. Foi preso pouco depois.

Arranjou um advogado, dizendo a este que no seu barco havia muito dinheiro e que lhe pagaria após sair da cadeia. Foi posto em liberdade e fugiu. O advogado foi tentar registrar o barco, e descobriu que era roubado.

Carl continuou sua vida, e numa dessas prisões, disse muito do seu passado, mas foi desacreditado. Porém, investigou-se e descobriu que era verdade. Por sinal, ainda quis receber uma recompensa oferecida em outra localidade por sua captura…

Foi transferido para outra prisão, muito rígida. Em uma fuga alguns meses depois, quebrou as pernas e foi pego. Meses depois foi submetido a uma cirurgia, onde acabaram por retirar-lhe um testículo. Além disso, ficou na solitária por meses. Passava o tempo pensando como matar o maior número de pessoas. Inteirados 5 anos nesta prisão, em 1928 voltou às ruas.

Nas primeiras duas semanas, já tinha matado um. Foi preso, mais uma vez.

Na identificação criminal, notaram que Panzram tinha o peito tatuado com uma frase: “Liberdade e Justiça”. Pela primeira vez, deu seu nome verdadeiro. Foi nesta prisão que teve contato com Henry Lesser, um guarda que se interessou por suas histórias. Lesser perguntou o seu crime, e ele respondeu: “O que eu faço é reformar as pessoas.” E então começou a falar de seus crimes. E logo aceitou escrever sua história para Lesser. “Por que eu sou o que sou? Eu te direi a razão. Eu não me fiz o que sou. Os outros é que me fizeram.”

Nestes escritos, também dizia que o sistema penal só fazia piorar as coisas. “A minha vida inteira eu tenho quebrado cada lei que já foi feita pelos homens ou por Deus. E se tivessem feito mais, eu as quebraria também.”

Os processos pelos crimes anteriores começaram a andar, com suas confissões. Feitas sem nenhum remorso, diga-se de passagem. Cerca de 20 homicídios. Um dos mais prolíficos assassinos em série já nascidos. Aliás, Panzam dizia que se fosse solto mataria outro tanto.

Em um julgamento, ameaçou uma vítima: “Você me conhece?” E fez gestos de atacar um pescoço: “É isto que acontecerá com você.” Foi condenado a vários anos de prisão, e deveria voltar à prisão federal.

Lá, avisou ao chegar: “Eu vou matar o primeiro homem que me incomodar.” Um guarda denunciou uma infração sua, e foi para a solitária. Ao sair, matou o guarda, na lavanderia da prisão. Outros presos tentaram fugir da confusão, mas Panzram ainda quebrou o braço de um e aterrorizou os outros. Voltou para a solitária, e aguardava outro julgamento.

Panzram continuou a se corresponder com Lesser. E disse que estava surpreso, porque agora ninguém encostava nele. “Cheguei à conclusão que se desde o começo tivesse sido tratado como agora, então tantas pessoas não teriam sido roubadas, estupradas e mortas.”

Em 1930, foi a julgamento pelo caso do guarda. Estava desafiador e pouco cooperativo.

“Você tem um advogado?”, perguntou o juiz. “Não, e eu não quero um.”

Durante o julgamento, Panzram foi avaliado por um psicólogo. “Eu quero ser enforcado e não quero nenhuma interferência sua ou de tipos como você. Eu sei tudo sobre o mundo e sobre a natureza diabólica do homem, e não quero bancar o hipócrita. Estou orgulhoso de ter matado alguns e arrependo-me de não ter matado mais.” Dr. Menninger, o psicólogo, tentou fazer Carl falar sobre sua vida anterior, mas o assassino foi ficando furioso. “Estou dizendo que sou responsável e culpado, e quanto mais rápido me enforcarem melhor será e mais contente ficarei. Então não tente interferir nisso!” Menninger, em suas análises, culpou o reformatório e as prisões por tudo o que aconteceu. E relatou: “Eu nunca vi um indivíduo cujos impulsos destrutivos eram tão completamente aceitos pelo seu ego consciente como Panzram.”

Panzram foi condenado a morrer em setembro do mesmo ano. Ouviu a sentença quase sorrindo.

“Eu certamente quero agradecê-lo, juiz, apenas me deixe colocar as mãos em volta do seu pescoço por 60 segundos e você nunca mais sentará como juiz em um tribunal.” Foi retirado da sala rindo.

Uma associação contra a pena de morte tentou reverter o quadro, ma isso enfureceu Panzram. “Eu não quero consertar a mim mesmo! Meu único desejo é consertar as pessoas que tentaram me consertar, e eu acho que o único meio de reformar as pessoas é matando-as.”

Escreveu uma carta ao presidente dizendo que não queria outro julgamento, e que estava plenamente satisfeito com aquele e com a pena. “Eu me recuso absolutamente a aceitar um perdão ou uma mudança na pena.”

Ficou acordado na noite anterior à execução, andando pela cela e cantando uma curta canção pornográfica que ele mesmo compôs.